Estratégia da Microsoft para o mercado de smartphones começa a dar resultados

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Muito se fala que a Microsoft está abandonando o mercado de smartphones simplesmente pelo fato dela não estar lançando um novo modelo de Lumia o tempo todo como fazia a antiga Nokia. Bem, o fato é que já falamos aqui várias e várias vezes que a estratégia trazida pelo seu novo CEO, o Satya Nadella e sua equipe, é bem diferente do legado da Nokia. Mas, vamos explicar mais uma vez de uma forma bem simples e direta tudo o que está por trás desses planos mirabolantes do Nadella.

Foco em três seguimentos

A ideia é focar em três grandes segmentos de usuários, e esse seria o primeiro grande pilar da nova estratégia:

  • Fãs e entusiastas do sistema – Esses são pessoas que adoram o sistema de toda forma e fazem questão e comprar aparelhos top para usa-lo. Um bom exemplo de aparelhos voltados para fãs são os Lumias 950 e 950 XL;
  • Mercado corporativo –  São pessoas ligadas a empresas, que fazem questão de ferramentas de produtividade e segurança, mas que podem abrir mão de outras ferramentas mais voltadas para multimídia e games, como por exemplo, uma câmera avançada ou um processador de alto desempenho. O Lumia 650 é uma boa sugestão para esse público, ou mesmo um Nuans Neo da vida ou um Vaio Phone Biz. Pensando bem friamente, esses poderiam ser mid-ends e também seriam para a categoria a seguir;
  • Consumidores em geral – Esse seria o público que costuma trocar de aparelho mais vezes, pelo menos 1 vez por ano, então, prefere gastar pouco e não tem grandes pretensões para ele. Aqui vemos um bom espaço para aparelhos como o Lumia 550.

Menos Lumias para ter mais OMEs

Aqui temos o segundo grande pilar da estratégia… a ideia da Microsoft é dar espaço para suas parceiras trabalharem, isso porque desde a “era Nokia” que esses modelos dominam o mercado dos smartphones com Windows. A AdDuplex já registrou isso várias vezes, mostrando que mais de 96% dos aparelhos que rodam o Windows Phone/Windows 10 Mobile são da linha Lumia, portanto, da Microsoft, e isso desamina qualquer fabricante parceira e também leva ao medo e a incerteza do investimento.

Pensando nisso a Microsoft simplesmente parou de produzir aparelhos da linha Lumia e resolveu dar um tempo nesse mercado, mas o motivo não seria o abandono do mesmo, muito pelo contrário, ela quer que mais fabricantes venham para o Windows 10 Mobile e pelo visto essa estratégia começou a dar frutos.

O dado também é da AdDuplex, que mostra que no Japão os Lumias também são os smartphones com Windows mais populares entre os usuários, mas tem muito menos participação de mercado do que quando olhamos para o cenário mundial. Vejo o gráfico a seguir:

japan-manufact-adduplex

Podemos observar que por lá várias outras fabricantes tem conseguido uma boa fatia do mercado de smartphones com Windows. E tem mais, veja esse outro gráfico a seguir:

japan-device-distrib

No gráfico do lado direito vemos que o smartphone com Windows 10 Mobile mais popular no Japão nem é um Lumia, é o MCJ Madosma (veja mais detalhes sobre ele aqui) o que é bem diferente do cenário global mostrado no gráfico a sua direita.  O Lumia mais popular no Japão é o 535 e ele ocupa o terceiro lugar no ranking, muito diferente do cenário global atual em que só vemos Lumias, Lumias e mais Lumias, e no máximo uma parte do gráfico que contém todos os outros que leva o nome de “Other”.

A ideia da Microsoft é que o gráfico mundial a direita fique parecido com o gráfico do mercado japonês a esquerda, entende? Com muitos OEMs distribuídos uniformemente. Seria algo semelhante como vemos a atual situação do Android da Google, que mesmo tendo a Samsung como maior impulsionadora do sistema, tem ao seu redor centenas de concorrentes que também lucram vendendo smartphones com o sistema.

Essa imagem de abril de 2015 mostra a fragmentação do Android com base em sua principais OEMs, e pode servir de base para o que estamos tentando mostrar aqui.

Essa imagem de abril de 2015 mostra a fragmentação do Android com base em suas principais OEMs, e pode servir de base para o que estamos tentando mostrar aqui.

Mais parceiros regionais

O terceiro grande pilar da estratégia da Microsoft para esse mercado é trazer para junto de si mais e mais parceiras regionais, e não apenas focar nas grandes fabricantes (LG e Samsung por exemplo).

Mais uma vez puxando a sardinha para os japoneses, por lá temos várias fabricantes investindo pesado no Windows 10 Mobile, como a Freetel (Katana-01 e 01), Nuans (Nuans Neo), Mouse (Madosma Q601), Covia (Breeze X5), Vaio (Vaio Phone Biz) e a Yamada (Denki). Na China é a mesma coisa, já temos os seguintes fabricantes/aparelhos com Windows 10 Mobile por lá: Alcatel (Fierce XL e o Idol Pro 4), Coship (Moly X1 e Moly PcPhone W6, CUBE (tablet Aikun S79) e até a gigante Lenovo, com o Softbank 503 LV. Veja a seguir uma tabela bem interessante que contém a lista de 13 OEMs e 17 novos modelos de Windows 10 Mobile lançados do ano passado até agora.

OEM windows 10 mobile pelo mundoEm países em que as parcerias vem dando certo o sistema vem ganhando força, então, a ideia por trás de tudo isso é pescar os peixes pequenos para depois fisgar os maiores.

A seguir, veja uma lista completa de todas (senão, quase todas) as fabricantes parceiras da Microsoft que já se comprometeram em lançar aparelhos com o Windows 10 Mobile e seus respectivos modelos separados por região.

OEM parceiros Microsoft novos devicesImpossível não ver que abrangência é mundial, porém, também ficou claro do porquê ainda não termos nenhum aparelho com Windows 10 Mobile no Brasil nem nos países vizinhos… não há qualquer fabricante local na América Latina que a MS tenha uma parceria concreta ao ponto de termos um lançamento agora com a nova versão do sistema.

Então, vamos ficar sem aparelhos? Claro que não. Fabricantes como a Lenovo e outras que operam no Brasil há anos, devem ter acesso a esses dados e não demorará a perceberem o potencial do nosso mercado e tomarão a dianteira desse negócio por aqui.

A plataforma Universal…

O último grande pilar da estratégia, para a infelicidade de muitos, é um plano que trará resultados a médio-longo prazo, isso porque eles vem tentando emplacar seu software Mobile desde o Windows Mobile 6.5, mas sem sucesso; lançaram o Windows Phone 7, sem sucesso; liberaram o Windows Phone 8 e começaram do zero, sem sucesso; incrementaram o Windows Phone 8.0 com o 8.1, mas sem sucesso; nesse meio tempo compraram a Nokia, sem sucesso, então, eles repensaram tudo e vão tentar de novo com o Windows 10 Mobile, mas com uma estratégia diferente, mais sólida e consistente.

Mais sólida? Sim! isso porque o Windows 10 Mobile não tem foco em “abater” seus rivais, ele quer ser a opção mais interessante por carregar o logo do Windows 10 e sua integração por meio do Projeto OneCore e dos APPs Universais do Windows.

Para finalizar de uma vez por todas, o Windows 10 Mobile pode ser a porta para os smartphones do futuro, assim acredita Satya Nadella. Porque? Por conta do Modo Continuum que pode transformar seu smartphone em um PC de bolso completo, e só o Windows 10 pode oferecer isso por conta da plataforma universal. APPs e jogos vem chegando e o gap de aplicativos com relação ao Android e ao iOS tende a cair mais e mais com o passar do tempo.

O mercado de PCs e Tablets já mostra sinais de enfraquecimento, enquanto o de smartphones comuns está cada vez mais saturado, então, chegará o momento em que ele precisará evoluir, e a Microsoft acredita que essa evolução passa pelo Continuum. Em 2017 o Surface Phone chegará para consolidar essa ideia ainda mais…

Fontes: Windows Central

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About Author

Funcionário Público Federal, formado em Licenciatura em Química, Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta do Windows Phone. Carpe Diem