Afinal, quem é você Windows 10?

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Inicialmente, gostaria de agradecer à calorosa recepção dessa casa. Eu sequer esperava que seria tão bem recebido. Muito obrigado: Miles Morales, Emerson Domingos, Wallace, Raphael Ribeiro Silva, Pedro Henrique, Rafael Christian, Leon, Bruno Moura, Paulo, Fellipe Alcântara, Filipe, Antonio Ailton, André Martani, Antoine Sales, Ygor Nascimento, Eliézer José Lonczynski (ufa!), Edpo Manso, Patrick Mazoli, Vinicius Barros (esse, não menos importante, foi de última hora, já na revisão da redação).

Sim senhoras e senhores, eu também leio as postagens de vocês!

À jornada!

Eu não estaria aqui hoje se não tivesse lido o desejo de alguns leitores. Sim João Paulo, é por leitores como você que aceitei o convite de iniciar essa coluna. Obrigado.

Então… mãos à obra!

Bem, se você considera que o Windows 10 será o novo sistema operacional da Microsoft para computadores, tablets e smartphones e afins… não, definitivamente é melhor você começar a “pensar diferente”.

Ele não será apenas um sistema, mas um ECO-sistema. Tampouco será uma evolução, e sim uma RE-volução. Talvez, a maior que o mercado de computação já tenha presenciado e ao final dessa primeira série você entenderá as razões.

Contudo, essa coluna é escrita para público acesso e, principalmente, entendimento. Nem todos nós estamos no mesmo estágio de conhecimento da tecnologia da informação. Assim, essa primeira redação é dedicada a todos os que não possuem conhecimentos tão avançados em programação e possam compreender não apenas o Windows 10, mas principalmente seu princípio teórico e elemento-base que dá sustentação a toda sua construção. Para os mais avançados, não será uma matéria tão esclarecedora, mas compreendam minha postura de tentar compartilhar o conhecimento, ok?

Todos nós sabemos, mas nunca é demais lembrar, que entre as peças que formam um equipamento eletrônico uma é essencial e toda a estrutura física é pensada para lhe oferecer máximo aproveitamento: o processador. Sim, tal como a galáxia gira em torno de um elemento central, o Hélio ou Sol chamem-no como lhes convier, o projeto de composição de um equipamento gira em torno da unidade central de processamento. Essa unidade pode ter diferentes estruturas, as quais denominaram arquitetura.

E mais. Somado a essas peças físicas há uma peça imaterial, o programa central, que tem por finalidade gerenciar em tempo real essas partes físicas, nomeado em nossa língua como programa gerencial, sistema operacional ou sistema operativo.

Sim, o sistema operacional sempre é escrito e desenvolvido em harmonia com a arquitetura do processador para obter máxima eficiência. São esses dois elementos a arquitetura da central de processamento de dados e o programa de gerenciamento de dados os responsáveis por todas essas maravilhas eletrônicas pelos quais os senhores, e claro vocês também meninas, são apaixonados. Tanto quanto uma regra matemática, a toda arquitetura de processador corresponde uma espécie de sistema operacional. Certo?

Haveria a possibilidade de um sistema operacional rodar sobre uma arquitetura diferente da qual foi projetado? Sim, há, mas não com o mesmo rendimento daquela de seu projeto inicial e a esse processo nomeamos emulação, basicamente entenda que para cada programação é necessária uma linguagem, a linguagem de programação é seu instrumento. O emulador realiza a ação de traduzir essa linguagem para a programação do sistema operacional e após essa compreensão finalmente o processamento da informação pode ser realizado. Num discurso, você coloca um elemento entre o comunicador (programa não nativo) e o receptor (sistema operacional), o tradutor (emulador), de modo a possibilitar a compreensão da declaração. A grosso modo, é isso.

Então – você deve estar aí pensando -, se para cada arquitetura de processador é necessário seu correspondente sistema operacional, cada processador tem seu próprio sistema operacional, certo Márcio? Sim, é isso mesmo – olha, quando eu abordar aqui as nuances do sistema operacional pela qual você é apaixonado, o Windows Phone, eu te explico a diferenciar essa afirmação, mas por ora fique com essa informação, ela será suficiente.

Bem seguindo esse raciocínio, então para cada arquitetura de processador há um sistema operacional correspondente… para cada uma das três principais arquiteturas de processador de grande mercado haverá uma versão do Windows. Exato! Hoje três arquiteturas são amplamente conhecidas: x86, amd64 e Arm. Assim, para cada uma delas uma versão do Windows, que em sua versão 8.1 corresponde aos Windows 32 bits (x86), Windows 64 bits (amd64) e Windows RT (Arm).

Marcio, e os programas de computador (bem, eu nunca entendi a necessidade de tantos sinônimos para a mesma coisa, programas, aplicativos, apps… são todos sinônimos, todos produtos do engenho humano resultante de uma linguagem de programação)? Seguem sempre essa mesma lógica. Certo?

Ah…

… era!

É aqui que a brincadeira começa a ficar interessante…

Bom você melhor do que eu sabe como é o intento humano, né. É só existir uma regra para esse engenho entrar em ação para desconstruí-la. Há toda regra… há sua exceção. Na computação ela não poderia faltar. Sim senhora exceção, nós também lhe demos um lugar de destaque.

Você sabe o que é um binário universal?

Um binário universal é um programa com a incrível capacidade de rodar nativamente em computadores baseados em processadores de diferentes arquiteturas. Ele se adapta ao meio.

É um programa mutante. Ele quebra essa regra de para cada arquitetura uma versão de programação.

O sistema de binário universal foi introduzido na Conferência Mundial de Desenvolvedores de 2005 promovida pela Apple para facilitar a transição de seus computadores, o Macintosh, baseados na até então arquitetura PowerPC de propriedade da IBM para arquitetura x86 de propriedade da Intel. O sistema operacional da Apple daquele ano, o Macintosh OS X 10.4 ou Tiger, tinha suporte a entender aplicativos escritos em modo de binário universal pelos desenvolvedores.

Bem, se você não sabe, saiba que a Apple não fabrica processadores para seus equipamentos, ela realiza contratos de fornecimento. Isso nem no iOS, apesar das falácias que você cansa de ouvir ou ler, mas disso trataremos quando abordarmos o tema Windows Phone em Janeiro. Até meados dos ano 90 quem lhe fornecia os processadores era a Motorola. Nesse ano ela contratou a IBM e em 2005 fechou um novo fornecedor a Intel. Bom, para cada fornecedor, uma arquitetura de processador. Para não causar tantos transtornos aos seus desenvolvedores, ela lançou mão de ferramentas que facilitassem a escrituras de códigos fontes que ao seu término, no momento de compilação de suas informações, a criação de um arquivo único que reúna suas informações.

No momento de compilação do código-fonte – aquela “página” com um monte de sinais e letras que você não entende nada –, o binário universal inclui em suas instruções as informações necessárias que lhe permita ser executável de forma nativa ao binômio arquitetura de processador – versão de sistema operacional incluso pela programadora do sistema. Assim, no momento de sua instalação, o sistema operativo detecta a parte correspondente à sua versão no aplicativo e a instala. A ferramenta gera um “camaleão”. No momento da instalação, a metamorfose acontece…

Essa ferramenta que possibilita gerar os tais camaleões é denominada Xcode no ambiente Macintosh. A partir de sua versão 2.1 o Xcode possibilitou aos desenvolvedores a criação de aplicativos escritos e compilados em forma de binários universais. Na versão do Xcode 2.4 o conceito de binário universal foi levado adiante para permitir a criação de aplicativos compatíveis com quatro arquiteturas de processadores (32 bits e 64 bits da Intel e da IBM) permitindo à aplicação, desde então, tirar todo o proveito das capacidades da unidade central de processamento.

Bem… agora que você já conhece a origem do Windows 10, na próxima semana nós dissecamos esse revolucionário sistema operacional em suas minúcias e os conceitos tão divulgados pela Microsoft através da imprensa internacional que você não consegue compreender: universal apps, One platform, One core, integração de sistemas.

Adiante.

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Apaixonado por computação.