Blackberry não vai mais fabricar smartphones

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É oficial! depois de assistir a Nokia parar de fabricar smartphones, já que sua divisão mobile foi vendida para a Microsoft, que passou a usar sua própria marca, agora chegou o momento de ver mais uma gigante dessa área trilhar o mesmo caminho… a Blackberry anunciou que não fabricará mais smartphones próprios. Eles disseram que a empresa passará a se concentrar em seus produtos de software e de segurança, mas infelizmente cessará de desenvolver e de comercializar hardware próprio.

A companhia planeja encerrar todo o desenvolvimento de hardware interno e vai terceirizar essa função para seus parceiros“, disse o CEO John Chen em um comunicado.

Mesmo sendo uma notícia “chocante”, era algo já esperado. Não é de hoje que a Blackberry anda mal das pernas no concorrido mercado de smartphones. Ela tentou emplacar vários modelos com seu S.O. proprietário, como o Blackberry Z10, mas sem sucesso. Posteriormente eles começaram a investir no Android, e chegaram a lançar o Blackberry Priv, um smartphone com Android e teclado QWERTY físico embutido, mas o aparelho também não vendeu bem.

BlackBerry Z10, o primeiro top a rodar o BB10

BlackBerry Z10, o primeiro top a rodar o BB10

Por fim veio o Blackberry DTEK50, chamado por eles mesmo de “o smartphone mais seguro do mundo”, porém, além de ser considerado uma cópia fiel do Alcatel Idol 4, nem com um slogan tão chamativo a empresa conseguiu vender bem seu novo aparelho com Android.

blackberry-dtek50

A semelhança do DTEK50 com o Alcatel Idol 4 é tamanha que muitos acreditam que ele foi mesmo produzido pela Alcatel sob licença da marca Blackberry, o que se alinharia ao novo plano da empresa para esse mercado

A prática é semelhante a usada pela Microsoft, onde as OEMs é que terão a responsabilidade de produzir o hardware (mesmo sabendo que a MS pretende ter o seu próprio hardware), enquanto a Blackberry, ou a Microsoft, por exemplo, fornecem o software. Alguém pode perguntar: mas o Android não é da Google? Não! o Android é um software livre (open source), e a Blackberry desenvolveu sua própria versão do Android e é essa versão que ela vai licenciar. A Google tem a sua versão, que é a mais popular dentre todas, e é usada pelas demais fabricantes como base. Inclusive não sabemos se a Blackberry a usou como base para construir sua própria versão.

Tudo isso já estava meio de que premediato, já que a companhia amargou uma perda líquida de US $ 372 milhões no último trimestre. Tempos atrás o CEO da empresa também havia afirmado que eles precisam vender cerca de 5 milhões de unidades do Blackberry por trimestre para se manter no mercado, e suas vendas passaram bem longe disso, o que levou a essa decisão histórica.

rimA história da Blackberry no mercado de telefones inteligente é bem antiga, mas ela não começou nem com esse nome, muito menos fabricando telefones. Inicialmente chamada de RIM (Research in Motion), ela foi fundada por Mike Lazaridis e Jim Balsillie em 1984 no Canadá. A RIM começou suas operações desenvolvendo soluções para a Mobitex, uma rede de dados de frequência exclusiva do governo canadense, que depois ganhou acesso público, nos anos 90. Foi dessa rede, aliás, que vieram os famosos bipes, ou pagers, que fizeram algum sucesso entre os eletrônicos da época. A RIM, nesse tempo, também foi responsável pelo desenvolvimento de um editor digital de negativos de filmes, o DigiSync, muito elogiado em Hollywood.

Seu primeiro dispositivo móvel não era um telefone, mas estava bem a frente do seu tempo. Ele chegou ao mercado no ano 2000, era o BlackBerry RIM 857-957, um dispositivo móvel que trazia alguns aplicativos, como bloco de notas, calendário, além do já clássico sistema de mensagens BlackBerry Messenger (BBM). A

O Blackberry 6210 foi um dos primeiros smartphones

O Blackberry 6210 foi um dos primeiros smartphones

empresa e seu dispositivo estavam tão a frente do seu tempo, que na época eles já ofereciam soluções em Nuvem, como o Blackberry Enterprise Server (BES) e o Blackberry Internet Service (BIS), que compartilhavam e sincronizavam os dados dos usuários entre computadores e dispositivos móveis.

Sua estreia no mercado de telefones foi com o Blackberry 5810, que foi lançado em 2002. Ele era um telefone integrado a um organizador pessoal, e já trazia o teclado QWERTY físico, que viria a ser marca registrada da empresa. No entanto, o telefone exigia que você utilizasse um fone de ouvido o tempo inteiro para fazer ligações.

Depois do 5810 veio o Blackberry 6210, que até hoje é considerado como sendo um dos primeiros smartphones da era moderna. Vale notar que nessa época o WiFi e redes móveis eram coisas pouquíssimo acessíveis. Além disso, um telefone como esse com 1MB de memória RAM era algo como um HP Elite X3 dá atualidade.

A partir de 2002, a empresa viu suas ações e sua lucratividade subirem mais e mais, e veio enfim os Blackberry Pearl e o Curve, que foram os maiores sucessos da companhia e passaram a ser referência em smartphones empresariais ultra seguros, tanto que até os presidentes dos EUA usaram, por muitos anos, modelos da Blackberry.

Sua queda começou em 2011, quando o iPhone e os Galaxys da vida começaram literalmente a esmagar suas concorrentes e pela primeira vez em sua história a RIM amargou queda nas previsões de sua receita trimestral. Daí por diante chegamos ao ponto que estamos hoje, o que é uma pena.

Então, nos próximo anos podemos até ver smartphones com a marca Blackberry nas costas, mas saiba que eles não serão mais desenvolvidos ou fabricados pela própria.

Fonte: The Verge e Techtudo

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Funcionário Público Federal, formado em Licenciatura em Química, Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta do Windows Phone. Carpe Diem