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Decisão da UE pode transformar o Android em um tipo de Windows

18/07/2018 645 0
Decisão da UE pode transformar o Android em um tipo de Windows

A Google foi processada pela União Européia por questões envolvendo ações antitruste no Android e de quebra recebeu uma multa na casa dos 5 bilhões de dólares por isso, mas a dor de cabeça de Sundar Pichai, CEO da Google, e sua equipe não param por ai… isso porque entre as decisões tomadas pela UE esta a que tentará fazer com que não as OEMs não sejam mais obrigadas a pré-instalar todos os aplicativos da suíte Google ou mesmo a Play Store em seus dispositivos Android que usam a versão do sistema operacional disponibilizada pela Google.

A decisão de instalar esse apps passaria a ser da fabricante do dispositivo. Hoje, qualquer um que queira vender um dispositivo com o Android da Google vai precisar pré-instalar a suíte de apps Google e a Play Store, passível de não conseguir qualquer notoriedade no mercado sem esses requisitos.

Mas, o que é a Lei Antitruste?

A Lei antitruste se destina a punir práticas anticompetitivas que usam o poder de mercado para restringir a produção e aumentar preços, de modo a não atrair novos competidores, ou eliminar a concorrência, diminuindo assim as opções para os consumidores finais.

A completa e discrepante dominação do Android no mercado de sistemas operacionais para smartphones ajuda a completar o cenário anticompetitivo apontado pela UE… hoje, ele representa 76,99% do mercado de sistemas operacionais para smartphones. Em segundo lugar temos o iOS da Apple, que tem meros 18,91%, enquanto os demais S.O., como o Windows 10 Mobile, Tizen, Sailfish, etc, tem apenas 2,4%.

A Microsoft já foi alvo de um processo semelhante no caso da venda casada do Windows + Internet Explorer em meados de 1998. Uma questão central no caso envolvia a venda casada – mais especificamente, se deveria ser permitido à Microsoft integrar seu navegador de Internet no sistema operacional Windows. O governo afirmava que a Microsoft estava reunindo os dois produtos para que o poder de mercador de que dispunha no ramo de sistemas operacionais para computadores fosse ampliado para um mercado não relacionado a esse (o de navegadores de Internet). Permitir que a Microsoft incorporasse tais produtos em seu sistema operacional, argumentava o governo, impediria que outras empresas, entrassem no mercado e oferecessem novos produtos. Anos depois ainda teve outro processo envolvendo o WordPerfect, mas o impacto foi muito menor.

A mesma tese usada em 1998 no caso governo americano VS Microsoft, está novamente em voga na batalha entre a União Européia e a Google.

Sobre isso a Google falou o seguinte:

“O Android criou mais opções para todos, não menos. Um ecossistema vibrante, inovação rápida e preços mais baixos são marcas clássicas da competição robusta ”, disse um porta-voz do Google em uma declaração ao The Verge . “Vamos recorrer da decisão da Comissão.” O Google também está alertando que a decisão da UE pode afetar o modelo de negócios livre do Android no futuro.

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Quais impactos essa decisão terá sobre o Android da Google?

Vamos invocar as palavras proferidas pelo próprio CEO da Google, Sundar Pichai, para responder essa questão:

“Se os fabricantes de celulares e as operadoras de redes móveis não pudessem incluir nossos aplicativos em sua ampla gama de dispositivos, isso perturbaria o equilíbrio do ecossistema Android”, explica Pichai, evitando cuidadosamente o fato de os fabricantes de celulares não serem mais obrigados a agrupar esses aplicativos mas ainda podendo optar por fazer isso.

Pichai, em seguida, sugere que o modelo de negócios gratuito (open source) do Android tem contado com este pacote de aplicativos.

“Até agora, o modelo de negócios do Android significou que não tivemos que cobrar dos fabricantes de celulares pela nossa tecnologia, ou depender de um modelo de distribuição rigidamente controlado”, diz Pichai. “Mas, estamos preocupados que a decisão de hoje irá perturbar o cuidadoso equilíbrio que atingimos com o Android, e que isso envia um sinal preocupante em favor de sistemas proprietários sobre plataformas abertas”.

Em suas palavras o CEO da Google quis insinuar que essa decisão pode fazer com que o Android deixe de ser um software open source para se tornar algo como o Windows, que é um S.O. proprietário, porém, Pichai esqueceu de dizer que os usuários e fabricantes do Windows tem a sua disposição tanto os apps pré-instalados e a Microsoft Store, como também a softwares diversos fora do “ecossistema” Windows e são livres para fazer escolhas, o que não ocorre no Android de forma nativa. Inclusive, muitos usam o Windows como S.O. e o transformam em uma central de serviços Google ou ainda da Apple e assim por diante, tendo em vista que o Windows permite a instalação de programas e jogos vindos de qualquer fonte. Até o Windows 10 S, que só tem acesso a Microsoft Store, o que seria uma prática semelhante a do Android, conta com uma opção para migrar para uma versão mais “aberta”. Quem sabe a Google precisará trilhar esse mesmo caminho, oferecendo sua versão proprietária do Android e outra complemente aberta.

Também é possível inferir nas palavras do CEO da Google que um dia o Android poderia passar a ser um software licenciado, ou seja, ser como o Windows, mas dado o domínio do Google em buscas e navegadores e a popularidade de seus muitos serviços web, o aviso de Pichai parece mais um blefe para influenciar a opinião popular do tribunal do que uma ameaça genuína de que o Android não será mais gratuito.

A União Européia não fez nenhuma sugestão sobre como o Google deve resolver suas violações, mas fica claro que se os fabricantes de celulares puderem agregar seus próprios navegadores em vez do Google Chrome, e usar buscadores rivais a Google, como o Bing, Yahoo! ou Baidu, isso pode ter implicações na receita de anúncios para celulares do Google. Vale lembrar que esses anúncios constituem mais de 50% da receita líquida de publicidade digital da empresa.

Dessa forma, cada empresa poderia ter sua própria versão do Android

Falando um pouco do que poderia acontecer na prática, caso a decisão seja mesmo acatada e se torne pública, uma empresa como a Xiaomi, por exemplo, poderia lançar um Mi8 com a MIUI, sem aplicativos Google e com acesso a outra loja e aplicativos, seja ela uma proprietária ou não. Até a Microsoft, se assim desejasse, poderia criar um aparelho com Android recheado com seus Apps e uma loja alternativa. Seria algo bastante interessante e que poderia ser um marco para o equilíbrio desse mercado.

O que você pensa sobre tudo isso? Abuso da UE ou o Google de fato promove ações antitruste com o Android?

Fonte: The Verge obg a Marcelo Pacheco pela dica 😉

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