Devido aos altos impostos brasileiros, Nintendo encerra operações no Brasil

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E lá se vai mais uma grande empresa para longe das nossas terras… depois de vermos a HTC, que foi a primeira empresa a lançar um Windows Phone no Brasil com o glorioso HTC Ultimate, agora temos que assistir a gigante Nintendo encerrando suas atividades por aqui. O motivo? Os altos impostos brasileiros.

O anúncio é oficial e não estamos falando de um rumor. “O Brasil é um mercado importante para a Nintendo e lar de muitos fãs apaixonados mas, infelizmente, desafios no ambiente local de negócios fizeram nosso modelo de distribuição atual no país insustentável”, foi o que disse em nota Bill van Zyll, diretor e gerente geral para América Latina da Nintendo of America.

Ele completou dizendo: “Estes desafios incluem as altas tarifas sobre importação que se aplicam ao nosso setor e a nossa decisão de não ter uma operação de fabricação local. Trabalhando junto com a Juegos de Video Latinoamérica, iremos monitorar a evolução do ambiente de negócios e avaliar a melhor maneira de servir nossos fãs brasileiros no futuro.”

Zyll teceu o último comentário baseado no fato de que a Nintendo não fabrica jogos localmente no Brasil, mas sim, eles os importam por meio da Juegos de Video Latinoamérica, que no caso contava com uma subsidiária no Brasil chamada de Gaming do Brasil. E isso não vai mais acontecer.

Alguém pode perguntar por que estamos falando da Nintendo num site especializado em Microsoft, e o porquê vem agora.

impostosA questão é que no Brasil é mais barato importar uma arma de fogo do que um simples jogo. Para importar um revolver, por exemplo, o governo tarifa esse produto em 71,6%, enquanto os jogos em mais de 72%, o que torna a importação de games um verdadeiro assalto a mão “desarmada”.

Esses valores não valem apenas para a Nintendo, mas sim, para jogos do Xbox, Playstation, PC e demais consoles. A sorte é que muitos dos jogos vendidos pela Microsoft para o Xbox, e o próprio console, são produzidos aqui mesmo no Brasil, e não são submetidos a essas taxas abusivas. Esse foi um dos motivos do Xbox One ter chegado por aqui custando basicamente metade do preço do PS4.

Alguém pode perguntar porque os impostos são tão altos por aqui, e o problema pode ser explicado por diversos pontos de vista, mas escolhemos o principal deles para deixar registrado aqui, que é o fato do jogo ser tratado como um brinquedo, e não como o software. Nosso governo possui tarifações especiais para softwares, então, se os games passassem a ser taxados como tal, eles poderiam ser vendidos por preços bem menores do que o que vemos hoje nas prateleiras.

É preciso levar em consideração que o Brasil é o 4º maior mercado de games em todo o mundo, uma pena que a maioria dos consoles, jogos e acessórios são comprados e adquiridos no mercado paralelo ou no exterior e trazidos para o mercado interno. Com os incentivos certos poderíamos chegar ao 3 ou 2º lugar facilmente.

Outro ponto que vale a pena comentar, é que os jogos vendidos na Windows Phone Store e Windows Store também sofrem com alguns desses impostos. Além disso, os desenvolvedores ainda precisam se adaptar a classificação etária brasileira, que é bem mais complicada de se entender do que fora daqui.

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Quem quiser comprar algum jogo da Nintendo agora vai ter que fazer a importação do jogo por si só. E com essa saída da Nintendo do mercado nacional a disputa entre a Microsoft e a Sony deverá aumentar ainda mais por aqui. E olha que a Microsoft já disse que vai investir pesado em jogos para o Windows esse ano, o que vai botar ainda mais lenha nessa fogueira.

De fato, o mercado de jogos eletrônicos no Brasil precisa melhorar e muito, caso contrário, o que aconteceu hoje com a Nintendo, pode acontecer em seguida com outras empresas tão importantes quanto.

Fontes: Tecnoblog e OlhaDigital

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Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, Microsoft MVP - Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!