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É o fim dos UWP? Microsoft vai matar sua plataforma de desenvolvimento?

A resposta para a maioria dos rumores que você tem lido sobre isso é: não! a Microsoft não vai simplesmente matar o UWP (Universal Windows Platform). Muita gente está pegando uma fala do Kevin Gallo, que é Vice-Presidente Corporativo da Windows Developer Platform, para criar esse tipo de notícia. Ele falou muita coisa interessante sobre o futuro da plataforma, mas em nenhum momento ele falou eu seu fim.

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O que realmente está acontecendo?

No post original do Blog do Windows, Gallo falou pouquíssimas palavras sobre os UWP. Ele disse:

“Como membro e colaborador da comunidade de desenvolvedores, estou muito empolgado com a maneira como a Microsoft continua a adotar e a expandir nossa participação na comunidade de código aberto. Trabalhar de forma aberta nos ajuda a criar melhores ferramentas e estruturas de desenvolvimento devido ao feedback contínuo. E você nos disse que gostaria que continuássemos a desacoplar muitas partes da Plataforma Universal do Windows para que você pudesse adotá-las de forma incremental, como WinUI, MSIX e Windows Terminal. Estamos permitindo que você use nossa plataforma e ferramentas para atendê-lo onde seus clientes estão indo – capacitando-o a fornecer experiências ricas e inteligentes que colocam as pessoas no centro. Esperamos que você continue trabalhando conosco e nos dê seu feedback. Eu não posso esperar para ver o que podemos construir juntos.” Disse ele.

Ou seja, Gallo falou que a empresa está, na verdade, aumentando a abrangência da plataforma e não colocando um ponto final na sua história.

E tem mais…

Em uma entrevista concedida ao ZDNET, Gallo falou mais um pouco sobre o futuro dos UWP. Para falar sobre seu futuro o executivo precisou resgatar coisas do passado, especialmente para justificar o porquê deles não terem alcançado a popularidade esperada pela Microsoft e pela comunidade DEV.

Entendendo o Contexto:

Originalmente os UWP nasceram com o Windows 8 e a Windows Store. Na época, a promessa da empresa era que a plataforma forneceria aos aplicativos melhor desempenho e segurança, porque eles seriam distribuíveis e atualizáveis ??via Microsoft Store (na época chamada de Windows Store).

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O Windows 8 foi o mais disruptivo Windows de todos os tempos. A mudança foi tão drástica que os usuários não o receberam muito bem. A Microsoft precisou repensar na sua UI, que culminou no surgimento do Windows 10. Parece que o excesso de mudanças muito profundas foi maior do que se pensava. As mudanças externas e internas não alcançaram o sucesso inicialmente esperado.

Os desenvolvedores poderiam usar um conjunto comum de interfaces de programação no Windows 10, no Windows Phone, no HoloLens e mais, disseram as autoridades, ao vender a visão da UWP. A desvantagem era que os aplicativos UWP funcionariam apenas em dispositivos baseados no Windows 10. Ou seja, os desenvolvedores teriam que trabalhar para que seus aplicativos estivessem prontos para a UWP/Store, porém, o enorme legado de aplicativos Win32 não receberiam recursos UWP, como toque e Windows Ink. Parecia assim que estávamos diante de um grande abandono de milhões de aplicações espalhadas pela web. Ou no mínimo parecia uma migração forçada para a nova plataforma.

Indiscutivelmente, Gallo disse durante a entrevista que: “não deveríamos ter ido por esse caminho”, o que significa que ele e a empresa cometeram um erro nessa transição, contudo, Gallo e outros executivos da empresa sustentam que a UWP não está morta.

Entendendo o futuro:

Diante dessa postura, desde o ano passado, a Microsoft vem tentado desfazer alguns dos efeitos do que Gallo chamou de “divisão massiva” entre o Win32 e o UWP, adicionando elementos “desktop modernos” aos aplicativos Win32, como por exemplo, vimos adição do suporte ao XAML Islands. O executivo garantiu que o futuro é promissor. Veja mais uma parte de sua fala sobre o assunto:

“Quando terminarmos, tudo será chamado de ‘aplicativos do Windows’. Ainda não chegamos lá, mas a ideia final é tornar todas as funcionalidades da plataforma disponíveis para todos os desenvolvedores”. Disse ele.

É nesse ponto que muitos sites tem descontextualizado a fala do executivo, afirmando que ele decretou o fim da plataforma, quando na verdade Gallo fala em expansão para além dos muros da Microsoft Store e para adequação da mesma para o projeto OneCore e Windows Core OS, assim como da própria win32. Ele fala em aproximar ainda mais os win32 dos UWP. Sendo assim, parecer existir uma possibilidade de fundir as duas plataformas numa única, mas certamente os moldes serão da UWP, que é mais nova e não o contrário. Isso sim seria o rumor correto, mesmo que ele não tenha falado sobre tal possibilidade.

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Meta original de 1 bilhão de dispositivos com Windows 10 publicada em 2016 já mostrava que todas as plataformas trabalhariam juntas

Em suma, o novo objetivo da Microsoft é tentar disponibilizar todos os recursos para todas as estruturas do Windows. Dizer que a Microsoft está descartando ou desaprovando qualquer uma das plataformas de desenvolvimento para Windows é completamente infundado. Em vez disso, Win32, UWP e Windows Presentation Foundation são todas consideradas de “elevadas ao status de completas”, como Gallo disse durante a mesma entrevista.

O que realmente podemos ver no futuro é a possibilidade do usuário ter a liberdade para instalar qualquer aplicativo para Windows sem ter que usar a loja. Ou seja, existe a possibilidade da Microsoft liberar a instalação de um UWP fora da Microsoft Store, como já acontece com os win32.

Diante desses novos fatos, a empresa meio que está afrouxando o cinto quanto aquela obrigatoriedade dos desenvolvedores empacotarem seus aplicativos win32 para que estes possam ser disponibilizados na loja. A tendência parece ser mais liberal, voltada para um ambiente onde UWP e win32 convivam harmoniosamente e, quem sabe, eles arrumem uma forma de fundir tudo isso em algo único muito mais acessível e com um alto nível de compatibilidade.

Alexandre Lima
Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, Microsoft MVP - Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!