[Editorial]: 2017 pode ser o inicio da “Era dos 2 em 1”

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Alguns leitores do Windows Team devem me conhecer fora site, já fiz alguns posts aqui mas irei me apresentar para os que não me conhecem além disso. Sou Fabricio Carvalho, entusiasta sobre o mundo Microsoft e tenho um canal no youtube sobre esse assunto, o “Canal do Windows” que antes tinha também um site mas que assim como outros no Brasil acabou não continuando. Hoje mantenho o canal, que depois desse limbo sobre o mundo móvel em 2016 por parte da Microsoft, deve focar mais sobre a empresa como um todo, fazendo unboxings, reviews e comentários sobre as principais notícias da gigante de Redmond.

Sem a Linha X50 ter chegado no Brasil, e escassez de outros aparelhos e demais notícias, me desmotivei muito em gravar vídeos, embora tenha me mantido firme na plataforma, não pensando em momento algum em migrar de plataforma. Mas a vontade de continuar disseminando meus pensamentos sobre tudo que envolve a Microsoft, foi mais forte e hoje busco contribuir com textos no Windows Team e abrangendo o conteúdo em vídeo no CW. tendo como alicerce a empresa e não o Windows 10 Mobile apenas.

Então, vamos ao real texto do editorial:

Já é mais do que conhecido a queda no número de vendas de PC’s e Notebooks em todo o mundo, o motivo como alguns ainda podem pensar não é uma crise mundial ou algo do tipo, mas sim um ciclo onde o grande “boom” na era dos PC’s foi acabando principalmente com a chegada de smartphones cada vez mais potentes.

familia-usa-computador-hg-20100318Com o passar do tempo, a população deixou de ver o desktop como centro de contato com a internet e tudo que a envolve, se uma família em meados de 2009 tinha ainda como principal investimento tecnológico o computador, onde principalmente os filhos poderiam fazer suas pesquisas na internet, hoje em dia a coisa já não é mais tanto assim. Em muitos casos a maioria ou até todos os integrantes da família possuem um smartphone, por mais básico que seja, mas que numa escala global fez todo um mercado mudar chegando a colocar o velho “PCzinho” para escanteio.

  • Surgem os Tablets…

O computador sem dúvida ainda possui a sua importância e supre determinadas necessidades, mas hoje o fator mobilidade tem sido mais importante para as pessoas, poder se comunicar, jogar, acessar conteúdos multimídia e muito mais a partir de qualquer lugar. A Microsoft tentou entrar nessa “vibe” quando veio o boom dos tablets, após o lançamento do iPad onde até se pensou que essa categoria de dispositivo iria substituir completamente o espaço que o computador possui no mercado.

Surgiu o Windows 8 com a proposta de que as telas sensíveis ao toque iriam chegar nos computadores, tablets com Windows e sua nova interface iriam invadir as casas, mas nós sabemos muito bem como essa história terminou. Só que enquanto isso tudo acontecia no mundo Microsoft com a gigante de Redmond já pensando em lançar a solução que seria o Windows 10, o mercado de tablets começou a normalizar e nos dias atuais já não é lá essas coisas. A maioria dos usuários desse device seja em um iPad, um tablet com Android ou até com Windows, hoje são: Pessoas que trabalham viajando e precisam acessar seus emails e fazer leitura de notícias com uma melhor experiencia do que em um smartphone; Jovens para jogos e alto consumo de conteúdo em vídeo.

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  • …e posteriormente as suas limitações

Ai veio a grande questão, o Tablet não conseguia substituir um smartphone completamente, não pelo seu hardware já que temos dispositivos dessa categoria com ótimas configurações, mas pelo seu conceito de uso que é para interação com aplicações que favorecem sua tela maior, além de também não suprir totalmente um computador já que a falta de um teclado e toda a experiência de PC não se tinha nele.

Com o tempo isso ficou mais claro e hoje em dia até o device da Apple vem sentindo a queda no número vendas a cada trimestre. O que muitos falam hoje é que o Tablet se limitou a ser um device secundário para experiências de tela maior, ficando sempre de lado quando o usuário precisa de um dispositivo de produtividade.

  • Surface Pro 3 + Windows 10: Começa a mudança do conceito

A Microsoft no decorrer desse tempo já percebia isso, muito através dos primeiros Surfaces e de outros devices como o Lumia 2520, que foram lançados com Windows RT, e que mantinham o mesmo tipo de uso dos perfis de usuários com Android e iOS, só que esbarrando ainda mais num problema já conhecido pelos usuários de Windows Phone: A falta de apps.

Se o Windows 8/8.1 Full não agradava gregos (Usuários de de PC/Notebook) nem troianos (Usuários de Tablets com Windows), quanto mais o pobre Windows RT que não tinha justamente o que era mais necessário para o seu sucesso, a produtividade e experiência diferenciada.

A partir disso a Microsoft começa a trazer a mudança do conceito, o OneCore.. um único sistema rodando em todos os diferentes tipos de dispositivos. O Surface Pro 3 chega com Windows 8.1 Full e era apenas elogiado pelo seu ótimo hardware, design e construção, mas ao analisar o software ele deixava se ser uma opção interessante pelo S.O. estar muito atrás dos seus concorrentes. Até que em Julho de 2015 a gigante de Redmond lança o Windows 10, fazendo com que o atual tablet da empresa fosse atualizado para essa nova versão do sistema. Com as constantes atualizações, não demora muito e o device passa a se tornar mais atraente para o público, já que agora a experiência de uso muda completamente.

Em Outubro do mesmo ano a Microsoft lança o Surface Pro 4, já vindo de fábrica com Windows 10 e trazendo especificações mais surpreendentes ainda, sendo claramente não mais um concorrente do iPad e sim do Macbook. Com o passar dos meses, o produto foi recebendo diversos prêmios e com o número de vendas crescendo cada vez mais. O Surface Pro 4 se tornou tão influente que não demorou muito e as demais OEM’s passaram a se espelhar na MSFT e lançaram também as suas opções, incluindo a Apple com sua gambiarra rodando iOS ao invés do MacOS chamada iPad Pro.

  • A aprovação do mercado

Asus Transformer 3, Huawei MateBook, Dell XPS, Samsung Galaxy ProS, Acer Switch 12, Lenovo IdeaPad Miix.. e muitos outros modelos chegam ao mercado validando o conceito da família Surface, de que os usuários que querem ter um tablet agora querem ir além do consumo multimídia, que possam ter a experiência de um computador, mas sem perder a mobilidade e leveza original do device, aliado a um bom ou ótimo desempenho para produtividade.

Estudantes, educadores, médicos e demais profissionais que vivem em constante locomoção durante o dia, principalmente em atividades do trabalho, são o grande público alvo desses dispositivos. Com a manutenção do smartphone como principal dispositivo e a continua queda na venda de computadores, os “Modelos 2 em 1” de verdade (Não incluindo aqueles notebooks que só fazem girar 360° e não destacam a tela do teclado) vão criando um espaço cada vez maior e que aos poucos vem se consolidando.

  • E em 2017, o que podemos esperar?

As empresas perceberam no ano passado que o Windows 10 vem tomando totalmente o espaço dentro do seguimento de produtividade e que já vemos o público em geral buscar opções como essa para o seu dia-a-dia. O que percebo é que elas passaram a diminuir o número de modelos de Notebook, concentrando cada vez mais esse produto para a linha Gamer e Ultrabooks/Notebooks Top de Linha e assim permitir a chegada dos verdadeiros Tablets 2 em 1 com hardware que vai atingir o público hard e intermediário.

Hoje vemos notebooks de entrada com Windows 10 tendo especificações fracas e com preços mais alto do que tempos atrás, claro que muito disso se deve a alta do dólar e a crise politica/econômica no país. Dados mostram que esse produtos de entrada e até os intermediários não vem tendo vendas relevantes, ou seja, apenas os consumidores que estão realmente interessados em produtos de ótimo desempenho, e logicamente mais caros, estão investindo em um Notebook agora. Essa é uma oportunidade imensa para também lançar modelos mais básicos, e consequentemente preço menores como o Asus Transformer Mini que não chegou no Brasil mas que nos EUA e Europa se encaixa perfeitamente nesse perfil.

A notícia de que poderemos ter em breve esses modelos com Windows 10 full rodando em processadores ARM reforça ainda mais essa ideia, pois esse tipo de componente é mais barato, tem melhor desempenho, menor consumo de bateria e traz uma série de outras vantagens em relação aos processadores da Intel fora da linha Core i3, i5 e i7. Ou seja, teremos tablets com preços mais em conta e desempenho que vai atender as necessidades do consumidor.

Com as empresas mantendo o investimento nesse conceito e chegando ao mercado uma linha de Tablets com Windows 10 trazendo a ideia de substituir o seu antigo notebook e/ou computador para poder ter uma melhor experiência atrelado com a mobilidade, o mercado vai embarcar nisso, principalmente em mercados emergentes como Brasil, Índia, Rússia e África, como exemplo da China onde a gama de opções de 2 em 1 vem popularizando o conceito.

E então caro leitor, sei que o texto foi bem longo, mas o propósito é de justamente gerar uma reflexão nos leitores do Windows Team e assim termos aqui no post um debate construtivo em busca de entendermos melhor esse tema. A ideia que tenho e que quero propor a vocês é que durante a semana todos compartilhem suas visões sobre esse tema nos comentários e durante o final de semana irei gravar um vídeo no Canal do Windows lendo os principais, sejam concordando ou discordando, e trazendo essa interação entre a gente. Quem sabe isso se torna uma coluna fixa no site e no CW? Espero que tenham gostado do texto e da ideia, estarei aguardando o ponto de vista de vocês!

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About Author

Podcaster (NextCast), Youtuber (Youtube.com/CanaldoWP), CEO do "Canal do Windows", Soteropolitado, apaixonado por tecnologia. Colaborador no Site Windows Team e grande entusiasta sobre o mundo Microsoft.