[Editorial] Galaxy Note 7: Quem sairá vivo dessa fogueira?

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A Samsung emitiu um alerta para os clientes na segunda-feira (dia 10/10), pedindo aos usuários que desligue imediatamente os seus smartphones Galaxy Note 7 tendo em vista que eles podem pegar fogo de forma espontânea. O movimento, sem precedentes na história do mercado de smartphones, vem um dia depois da Samsung encerrar a produção dos dispositivos perigosamente explosivos.

Em um comunicado corporativo, a Samsung disse:

“Os consumidores com um original Galaxy Note 7 ou um aparelho de substituição do Galaxy Note 7 devem desligar e parar de usar o dispositivo.

…a todos os parceiros, operadoras e de varejo globalmente, parem as vendas e trocas do Galaxy Note 7 enquanto investigamos a causa dos incêndios.”

É um grande revés para a fabricante de eletrônicos sul-coreana. As ações da empresa despencaram mais de 5% nesta manhã de terça em Seul.

A Samsung lançou o Galaxy Note 7 em agosto deste ano na expectativa de bater de frente com o novo iPhone 7 da Apple, mas seus clientes imediatamente começaram a reclamar que seus telefones estavam pegando fogo do nada.

A empresa explicou que as baterias de íon-lítio com defeito, ou seja, que estavam em um curto- circuito, resultavam em um sobreaquecimento dos aparelhos, causando os incêndios. No início de setembro, a Samsung fez um recall de 2,5 milhões de dispositivos no mundo todo e ofereceu a troca por um novo Galaxy Note 7, porém, estes novos aparelhos também estavam com esse mesmo vício de fabricação.

Enfim, a Samsung jogou a toalha, encerrou a produção do modelo e suas vendas, assim como todas as unidades restantes serão recolhidas. Se você possui um Galaxy Note 7 pode optar pela troca por outro aparelho ou ter o seu dinheiro de volta. Um duro golpe na imagem da empresa e de seus produtos.

Google e o Pixel

Semana passada, com a Samsung enfrentando problemas explosivos por todos os lados, o Google lançou o seu novo smartphone, o Pixel, e foi um duro golpe na Samsung e em todas as fabricantes “parceiras” do robô.

Google Pixel

Google Pixel

A imprensa especializada explodiu (rsrsrs) com artigos escritos sobre como isso poderia afetar a Apple e seus iPhones. O Pixel até pode impactar a Apple um pouco no futuro, mas todos ignoraram o fato de que o seu verdadeiro concorrente é a linha Galaxy da Samsung. Claro, eles cutucaram várias vezes o iPhone na apresentação, mas isso foi apenas uma cortina de fumaça destinada aos fabricantes de hardware para o Android que estavam assistindo.

Nós não estamos em 2010 onde há um mercado inteiro de novos compradores de smartphones, escolhendo qual ecossistema vão comprar pela primeira vez. Pelo menos 90% das vendas do Pixel virá dos atuais clientes Android. Se você acredita que o Pixel foi um tiro do Google, com alvo certeiro no iPhone da Apple, bem, esta bala tem outro endereço e atingirá certamente o coração da Samsung.

Lealdade entre os ecossistemas e marcas é algo bem difícil, ainda mais quando falamos do Android, onde há muitas opções.

A Apple é um exemplo de companhia que sempre teve uma base enorme de fãs, fiéis, que sempre vão consumir os seus produtos, coisa que é sonho de qualquer empresa. E se o Pixel da Google for um verdadeiro sucesso, as vendas virão principalmente de usuários da Samsung.

No passado, o Google teve o cuidado de evitar um ataque direto contra a Samsung e os demais OEMs do Android, quando estreou sua linha Nexus, que vem com Android puro e que é fabricada por terceiros e voltada a entusiastas e fãs da empresa. Mas, com o Pixel a coisa mudou de figura. Ele não compete com o mercado de entrada (aparelhos mais baratos) ou intermediários, mas sim, diretamente no setor premium da Samsung, onde está o seu maior faturamento. Eles provavelmente vão roubar uma boa quota de mercado de todos os fabricantes de aparelhos Android, mas a Samsung, em virtude de ser a maior, pode ser a que mais sentirá no bolso.

Recentemente dados de sondagem mostram que 34% dos atuais proprietários de Galaxy´s da Samsung não estão dispostos a comprar outro aparelho da marca. A Google não poderia escolher um melhor momento para decidir ser um fabricante de hardware premium, e para a Samsung, um completo desastre.

É interessante ver o Google e Samsung começando a se virar um contra o outro. Sinais já apontavam para isso, quando a Samsung rejeitou utilizar o Android em favor do Tizen em seus relógios inteligentes. Agora a Google lança um ataque na linha de produtos mais importante da Samsung. Em contra partida, a coreana correu e comprou a Viv, um assistente virtual dos mesmos criadores da Siri da Apple, certamente ara competir com o assistente do Google e do Android, o Google Now, agora Google Assistant.

E a Apple?

A caótica confusão que é o Android destaca a posição segura da Apple desde o princípio, que é um ecossistema inteiramente independente. Se a Apple sentir qualquer impacto negativo, será por erros de projeto, por exemplo, como as explosões dos Galaxy´s Note 7, ou por questões próprias, já que o seu CEO, Tim Cook, não teve um grande sucesso na sua gestão, deixando a Apple ainda dependente de tudo que o Steve Jobs deixou como legado. O que não é demérito, afinal de contas, quem não gostaria de ter o iPhone no portfólio?

Se o Pixel for bom o suficiente, ele não impactará a Apple e sim a Samsung, já que é mais fácil para os clientes Android´s alternar entre aparelhos do seu ecossistema do que os usuários de iOS migrarem para o robô.

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Então, a Apple deveria estar preocupada com novo smartphone do Google? Claro, seria imprudente não dar atenção aos movimentos dos competidores, mas duvido que a longo prazo a Maçã e seu telefone premium serão afetados por esse novo dispositivo Androidiano.

A Microsoft corre por fora

Quando foi revelada uma patente da Samsung a qual possibilitava rodar, ao mesmo tempo, Android e Windows 10 em um mesmo dispositivo, podemos entender que existe algum movimento neste sentido.

Se a Samsung resolver se livrar da parceria com o Android e levar a maioria de seus clientes com ela a Google estaria em sérios apuros. Mas, isto é uma confusão que a dona do robô criou, ou seja, o consumidor vai escolher quem será o seu principal fabricante, e o mercado pode ser influenciado pelo maciço bombardeio de dólares de publicidade que a Samsung sabe fazer como ninguém.

Então, um possível aparelho rodando Android e Windows 10 pode aparecer mais cedo do que você imagina, ou quem sabe, até um exclusivo, abraçando o ecossistema Windows 10 de vez.

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A plataforma universal da Microsoft vem a cada dia mostrando toda a sua força, até por especialistas do mercado e não pode ser ignorada. No final deste mês, teremos provavelmente produtos da linha Surface reveladas, o que poderá jogar ainda mais lenha nessa fogueira.

Qual é a sua aposta? Google Pixel vai derrubar a Apple ou a Samsung? Windows 10 terá um fabricante de peso? Deixe sua opinião nos comentários!

Fonte: CNN

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