[Editorial] Não, eu não quero o Windows Phone… E muito menos o Mobile!

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Isso mesmo!

Essa é a declaração que você acabou de ler.

Há tempos muitos leitores pedem que eu volte a escrever e eu simplesmente não conseguia. Não que não quisesse, mas minhas análises têm um ingrediente especial do qual não abro mão: sinceridade. Não adianta me pedir para escrever algo em que não acredite porque eu não consigo. Minhas análises, repito mais uma vez dentre tantas, não têm qualquer obrigação de agradar você – caro, leitor – e muito menos a mim – mero, escritor. Porém, após a coluna de Alexandre Lima acerca da saída de Joe Belfiore e os diversos comentários e críticas tive aquele estalo de voltar a escrever e “oh, nós aqui outra vez” – se você lembrou dessa… é porque também já passou dos trinta.

Windows 10 mobile VS Windows Phone 81

Afinal, o que eu quero? Eu, quero o Windows!

Resultados de participação de mercado vêm, resultados de participação de mercado vão e algo não se altera: os índices do Windows Phone. E fica sempre aquela sensação no ar de que “a plataforma está morrendo”, “é o fim da plataforma”, “game over”. É… infelizmente a teoria do caos a cada dia se confirma. Mas será mesmo que esse produto é tão ruim assim?

Eu compreendo esse resultado não como reflexo das restrições da plataforma em si, mas, muito mais, pela incapacidade de a programadora entregar um produto que não corresponde ao desejo do consumidor. Aí as coisas vão de mal a pior.

O consumidor, assim como eu, não quer um Windows Phone e muito menos um Windows Mobile. Queremos o Windows e todos os nossos programas capazes de serem executados em todos os nossos equipamentos.

Microsoft, até quando você insistirá em não compreender esse desejo? Será que após anos, ninguém, repito, ninguém conseguiu ainda perceber o que eu quero comprar? Infelizmente, parece que sim. Vir aqui e escrever linhas também não vai ajudar em nada. É, tem razão. Então vou ajudar a companhia a compreender nosso desejo.

Recentemente foram apresentados os novos Microsoft Lumia 950 e 950 XL. Câmera bacana, recursos novos, conexão nova. Agora vai! Certo? Não! Não “vai” porque esse produto continua não entregando o que eu quero.

Lumia 950 e 950 XL Windows 10 Devices img1

Por ser Windows eu quero executar o programa da instituição onde trabalho nele, jogar meu jogo nele, trabalhar e me divertir nele. Consigo? Depende. E é justamente em razão dessa resposta, “depende”, que esse produto continua sem ter relevância no mercado.

Ah, mas o Windows 10 vem aí! Você verá! Tudo vai mudar! Será mesmo?

Não se enganem, o Windows 10 é apenas a evolução do Windows 8. Mesmo cerne, mesma estrutura de programação. Então, continuando você a realizar as mesmas ações conseguirá obter novos resultados? Essa nem vou te responder.

Ah, mas o Nadella trouxe a “visão do futuro”! Ok. Por acaso você vive nele? Mais um erro, afinal – como já nos ensinaram a sabedoria oriental – a dádiva é o presente:

“O ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. É por isso que se chama presente!”

Não se chega ao futuro sem um presente. O meu, o seu, o dela. Todos nós precisamos de um presente.

Sim, o Windows Phone precisa ser extinto. Após três anos os números não mentem. O consumidor não quer um Windows Phone. O consumidor deseja um “Surface – Xbox” Phone. Um “mini Surface” e um “mini Xbox”. Então, por mais que seja doloroso para alguns, está na hora de erguer o leme e começar a entregar o produto que quer nosso consumidor. O Phone não é um Windows. Está mais para uma cópia do Android do que para um produto Windows. Sequer possui seus elementos característicos.

Acaso a Microsoft não saiba, os elementos da interface do Windows são área de trabalho, barra de ferramentas, central de informações e botão iniciar. É justamente essa reunião de elementos há décadas que tornou a interação homem-máquina algo tão simples e fácil resultando num enorme sucesso. Nenhum sistema operacional conseguiu até hoje ser tão simples e tão acessível. Todos sabem usar isso. Por que renega-los?

Os programas para Windows sempre tiveram uma estrutura muito bem definida: barra de título, barra de comandos e área de utilização. Há décadas é isso. E que sucesso! Todos sabemos usar. Para quê renegar seu legado?

Agora introduziram novos e extraordinários elementos, os botões hambúrguer, reticências, barra de comandos vertical… em quê toda essa relutância em adaptar a estrutura clássica resultou? Em nada! Melhor, numa confusão de uso que ninguém mais se entende. Está uma bagunça. Entediante. Cada aplicativo tem sua própria estrutura. É uma curva de aprendizagem muito longa para o usuário. Será que ninguém está percebendo isso?

A adoção do Windows 10, mesmo sendo gratuita, sequer corresponde aos números esperados.

Deixe de negar sua origem. Pare de querer reinventar a roda. Contratem um craque de design para renovar os ícones e demais elementos da consagrada interface do Windows, levando-os a todos seus dispositivos, pois é isso que as pessoas querem: usar o Windows que elas conhecem e sabem usar em seus smartphones. Simples assim.

O Windows 8 trouxe alguns elementos novos ao sistema. Muitos gostam, eu sou um deles. Muitos não gostam. Então, porque não entregar essa decisão ao usuário ao invés de estabelecer a ditadura do novo Windows? Quer usar as Tiles? Configuração – Personalização – Interface Modern; não quer usar? Configuração – Personalização – Interface Classic. Simples assim.

Já tentaram usar um tablet com Windows 10? A barra de ferramentas é impossível de ser utilizada com o toque de seus dedos. Então vamos trazer o que já era um item de personalização, ocultar barra de ferramentas. A barra fica sempre escondida, o usuário faz um movimento da borda inferior em direção ao centro, a barra reaparece, agora maior do tamanho grandinho que era no Windows 7, nosso dedo consegue tocá-la, e pronto. Um efeito que todo mundo sabe usar há anos, eficiente e elegante.

A Tela Iniciar do Windows 10 também está qualquer coisa. Há botões demais e até dois botões que fazem a mesma função. Caramba! Coloquem aquela interface limpa do Windows 8. O usuário realiza ou um movimento de borda esquerda para trazer o Menu Iniciar, como é no Windows Phone, ou faz um movimento de borda inferior e levanta a barra de ferramentas e depois toca no botão iniciar. Pronto simples.

É isso que o usuário de Windows sabe fazer. É isso quer ele quer fazer. Por que não permitir?

Outro dia um colega nosso me disse algo que faz sentido, acho que foi o Andriw.

Tem certa hora que alguém precisa chegar bem pertinho do CEO e dá-lhe um tapa na nuca, o pescotapa, e dizer-lhe: – Se liga, cara!

P.S. do Windows Team – Muitos podem não saber, mas, um Editorial expressa APENAS a opinião do autor, neste caso, do Márcio Viana, autor da postagem. O site permite e sempre permitirá opiniões que tragam uma discussão saudável para todos, o que não significa que deixaremos de apoiar e focar no Windows Phone/Windows 10 Mobile/Windows nem que apoiamos ou discordamos de tudo o que foi dito no texto. Apenas estamos abrindo espaço para uma boa discussão.

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Apaixonado por computação.