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Facebook teria dado acesso irrestrito a dados pessoais dos usuários a Microsoft e mais 150 empresas

Segundo um relatório do jornal New York Times, a polêmica envolvendo o novo vazamento de dados de usuários do Facebook vai muito mais longe do que se pensava… informações do jornal dizem que a rede social criada por Mark Zuckerberg teria dado acesso irrestrito aos dados pessoais dos usuários a Microsoft, Netflix e mais 150 outros empresas.

Os documentos internos do Facebook obtidos pelo NYT teriam revelado que o Facebook deu à Netflix e ao Spotify, por exemplo, a capacidade de ler as mensagens privadas dos usuários e permitiu ainda que a Amazon acessasse os nomes de usuários e informações de contato através de amigos. Uma permissão semelhante teria sido dada também a Microsoft. A lista é grande, pois, nela constariam cerca de 150 empresas as quais seriam as principais parceiros do Facebook e essas estavam isentas das regras de privacidade da rede social.

Mais precisamente sobre os “privilégios” da Microsoft nessa coisa toda, o Facebook teria permitido que o mecanismo de busca da gigante de Redmond, o Bing, coletasse os nomes de “praticamente todos os amigos dos usuários do Facebook” sem o seu consentimento.

O New York Times informou que tais dados são de 2017, porém, eles também alegam que alguns desses acordos ainda estão em pleno funcionamento.

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Não podemos esquecer que não tem muito tempo que o CEO e fundador da empresa já chegou a prestar esclarecimentos no congresso nacional americano sobre o escândalo de vazamento de dados de usuários da rede que, supostamente, teria influenciado as eleições americanas de 2016. Esse episódio ficou conhecido como o escândalo da Cambridge Analytica. Na ocasião, Mark Zuckerberg e sua equipe se comprometeram a investir maciçamente na proteção dos dados dos seus usuários, mas depois da novidade que lemos acima fica complicado defender qualquer promessa feita.

Mas, o que o Facebook ganha com tudo isso? Porque eles fazem isso? e as empresas envolvidas?

A resposta é muito simples: $$$$$. Sim! dinheiro. O intercâmbio teria sido destinado a beneficiar a todos. Todo o esquema teria feito com que o Facebook conseguisse mais usuários, aumentando assim sua receita de publicidade. Já as empresas parceiras teriam adquirido recursos para tornar seus produtos mais atraentes, logo, poderiam criar anúncios melhor direcionados e mais eficientes.

É inegável que o Facebook detém um poder extraordinário sobre as informações pessoais de seus mais 2,2 bilhões de usuários – controle que tem exercido com pouca transparência ou supervisão externa – mas, também não podemos esquecer que todo usuário que se cadastra na rede dá permissão para o Facebook acessar uma infinidade de dados pessoais. E não estamos falando do vazamento de dados nem dos benefícios concedidos a empresas específicas. Estamos falando das informações normais, pois, caso você não saiba, o Facebook já vendia seus dados a empresas diversas, porém, normalmente não concede acesso irrestrito como relatou o NYT, mas sim, uma acesso controlado e limitado para finalidades específicas.

Outras empresas, como o Google e até a própria Microsoft, possuem políticas e práticas semelhantes para gerar receita, para melhorar seus serviços, para descobrir bugs e problemas diversos, ou simplesmente para coletar estatísticas diversas. Recursos como o de Telemetria do Windows é um bom exemplo disso. A questão é: como as empresas estão cuidando dos nossos dados pessoais? Como elas os vendem? Essa é a discussão… Parece que a Web 2.0 continuará gerando polêmica por onda ela passa.

Alexandre Lima
Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, Microsoft MVP - Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!