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Futuro da Microsoft não tem o Windows como foco

Muita gente pensa que a Microsoft ainda é dependente do Windows para sobreviver, mas qualquer um que pensa assim está redondamente enganado. Hoje, a Microsoft lucra muito mais com seus serviços em Nuvem do que com o Windows. Essa mudança aconteceu ainda em 2012, que foi o ano em que mais da metade do lucro líquido da empresa deixou de vir do Windows. Na verdade, hoje, a receita vindo do Windows equivale e menos de 10% da receita total da empresa.

Isso não significa que a Microsoft abandonou ou abandonará o Windows, de forma alguma. Ele faz parte do projeto One Core e de muitos outros projetos de grande porte da empresa, porém, o sistema operacional para PCs mais popular do mundo muito provavelmente não será o centro das atenções da empresa num futuro próximo. O foco deverá estar em cima de novas tecnologias, como por exemplo, a Realidade Mista, a Computação Quântica e a Intelligent Edge, assim como em ainda mais serviços em Nuvem. Inclusive o próprio Windows um dia poderá ser tornar um serviço em nuvem…

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Para fundamentar o que estamos falando temos aqui informações retiradas de uma entrevista do diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, que recentemente falou à revista Fortune, discutindo sobre o futuro da Microsoft, os desafios relacionados à inteligência artificial e muito mais.

Ele foi questionado se a Microsoft continuaria investindo em novas tecnologias, como VR / AR, se não obtiverem adoção suficiente dos usuários, como esperado. Kevin confirmou que a Microsoft não reduziu seus investimentos em Realidade Mista e que na verdade aumentou. Ele mencionou que seu trabalho é garantir que a Microsoft mantenha seu foco e seu compromisso com alguns desses investimentos a longo prazo. Kevin também revelou que a Microsoft acredita que as três coisas a seguir serão plataformas importantes no futuro:

  1. Uma é a computação quântica, que em algum momento será muito importante;
  2. Há ainda a Realidade Mista, que achamos que provavelmente está há um horizonte de tempo mais curto e será uma plataforma muito importante;
  3. E em um horizonte de tempo mais curto do que isso, temos a noção de Intelligent Edge, que tem uma grande relação com o IoT (dispositivos conectados à Internet ou simplesmente internet das coisas), sensores e inteligência artificial.

Pausa para aprender mais: O que é a Intelligent Edge? o termo se refere à análise de dados e ao desenvolvimento de soluções no local em que os dados são gerados. Dessa forma, a Intelligent Edge reduz a latência, os custos e os riscos de segurança, deixando os negócios associados mais eficientes. As três maiores categorias de Intelligent Edge são as bordas de tecnologias operacionais, bordas de IoT e bordas de Tecnologia da Informação, com as bordas de IoT sendo as maiores e mais populares.

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Voltando…

“Acreditamos que todos os três serão plataformas extremamente importantes no futuro. E para fazer uma plataforma de escala global funcionar, você tem que investir e acreditar que é real. É uma questão de quando e não se ”, disse Kevin.

Posteriormente Kevin foi questionado sobre as possibilidade em torno especificamente da Inteligência Artificial, assunto que está em alta atualmente. Sobre isso ele falou o seguinte:

“Nosso DNA é que somos uma empresa de plataformas. Se você ouvir como Bill Gates sempre definiu o que é uma empresa de plataforma, é uma tecnologia que cria toda essa oportunidade na qual você não tem todo o valor econômico concentrado em uma empresa. Estamos aumentando o tamanho geral do bolo. O PC, por exemplo, criou uma enorme oportunidade econômica. Nós vemos a IA como essencialmente a mesma coisa”

Ou seja, para a Microsoft, tudo que gira em torno da IA representam grandes oportunidades de negócio, tanto que o Microsoft Azure enquanto plataforma em nuvem já comporta serviços baseados em IA já tem algum tempo e isso deve ser ampliado cada vez mais.

Outra pergunta feita ao Kevin foi: Quando penso em plataformas, penso em coisas como o Windows, sobre as quais outras empresas podem criar aplicativos. É assim que você vê AI? e Kevin respondeu:

“Um ponto de pressão que temos focado é que muita coisa envolvendo inteligência artificial ainda é desnecessariamente difícil para muitas pessoas se atualizarem. Há talvez dezenas de milhares de desenvolvedores por aí que são pessoas que trabalham com aprendizagem de máquina (machine learning) e data science. Quase todos os clientes com os quais interagimos estão pensando em usar a inteligência artificial para ajudar seus negócios a funcionarem melhor. E você não pode esperar que cada um deles contrate um grupo de Ph.Ds e engenheiros de aprendizagem de máquina. No ritmo em que a IA está se desdobrando, existe poucas dessas pessoas disponíveis.

Um dos nossos desafios é criar tecnologias que reduzam as barreiras à entrada, para que um grupo muito maior de desenvolvedores possa usar a aprendizagem de máquina em seus produtos e serviços. A própria Microsoft é um microcosmo para isso, porque temos cerca de 55.000 desenvolvedores na empresa e nem todos eles são especialistas em aprendizagem de máquina / data science.”

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Segunda parada para aprender mais: Data Science é o estudo disciplinado dos dados e informações inerentes ao negócio e todas as visões que podem cercar um determinado assunto. É uma ciência que estuda as informações, seu processo de captura, transformação, geração e, posteriormente, análise de dados. A ciência de dados envolve diversas disciplinas: Computação; Estatística; Matemática; e Conhecimento do Negócio.

Voltando…

Kevin deu a entender que a Microsoft pretende criar uma plataforma baseada em IA que possa ser difundida e usada por clientes diversos. Eles querem criar uma plataforma base que sirva de alicerce para novos projetos e que seja acessível para a maioria dos desenvolvedores.

Não temos dúvida que qualquer coisa que seja criada nesse sentido será multiplataforma, ou seja, será algo sem barreiras ou limitações proprietárias. Muito provavelmente não será gratuita, mas também não será engessada e cheia de impedimentos.

Já deu para perceber que os projetos listados por ele como de “curto prazo” já tem um encaminho bem definido, mas também sabemos que a Microsoft tem grandes projetos em torno da Computação Quântica e de Realidade Mista.

Claro, os envolvendo Realidade Mista estão bem mais avançados, e isso poderemos conferir quando enfim conhecermos o HoloLens 2, esse que deve ser apresentado ao mundo ainda este ano. Daí então teremos a Intelligent Edge e a Realidade Mista como dois grandes projetos para um futuro próximo. Ambos podem gerar plataformas incríveis que tragam novas formas de interagirmos com nossas casas, com nossos gadgest, com nossos carros e que também tragam novas formas de trabalhar e sermos mais produtivos. Podem até mesmo interferir nas relações humanas e na relação homem-máquina.

Sendo assim, se existe um Windows 11, ele será em Nuvem… e quem sabe movido a IA…

Fontes > MSpoweruser e Fortune

Alexandre Lima
Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, Microsoft MVP - Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!