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Nokia: Estaria a nova estratégia de marketing da finlandesa nas suas origens?

A exatamente três anos atrás, a HMD Global concluia a aquisição da divisão de smartphones Nokia que esteve no comando da Microsoft desde 2014. Unindo forças com a FIH, uma subsidiária da Foxconn, as empresas começariam um trabalho árduo para trazer de volta ao seu lugar de origem a icônica marca Nokia ao mercado de dispositivos móveis. HMD ficou responsável pelo marketing, vendas e distribuição, já a Foxconn seria responsável pela fabricação dos dispositivos.

Alguns anos e lançamentos depois dessa aquisição vemos que, a icônica marca que ainda possui um lugar especial em nossos corações, não conseguiu retornar ao seu lugar que outrora ocupou, na época de ouro, quando não havia concorrentes a altura da finlandesa.

Caso você esteja inscrito no boletim informativo da Nokia Mobile, pode ter recebido uma mensagem promocional que mostra uma abordagem de marketing ligeiramente diferente. Talvez a Nokia tenha adotado uma nova estratégia de marketing, mas o que quer que tenha acontecido está vindo diretamente da Finlândia e com amor. Agora, a origem da marca é enfatizada na mensagem, e é seguida por um novo logotipo do Android One para nos mostrar a conexão profunda com o sistema operacional que os telefones Nokia executam atualmente. A história do Android não significa apenas ficar melhor com todas as atualizações que os telefones da Nokia terão por dois ou três anos, se contarmos atualizações de segurança, mas também sobre o design limpo e a excelente qualidade de construção dos dispositivos que são marca registrada da finlandesa desde tempos remotos.

Os fãs da Nokia na época de parceria e aquisição da Microsoft sentiam falta disso. Apesar de várias campanhas publicitárias, não houve nada que chegasse a enfatizar as origens de ambas as empresas. Algo está mudando dentro da Nokia Mobile, e esperamos que, desta vez, mude para uma boa direção. Enquanto alguns mercados importantes, como o indiano ou o americano, ainda estão sendo atendidos, o mercado europeu, por exemplo, é quase que completamente negligenciado (o Brasil então! Vivemos num monopólio Samsung / Motorola).

As atividades de marketing não são visíveis em muitos países da UE, e um bom marketing pode ajudar a construir uma marca. A Europa (assim como o Brasil e outros países) precisa de uma marca como a Nokia, cujos telefones podem oferecer grande custo benefício. Se voltarmos ao final de 2017, a Nokia conseguiu aumentar sua fatia de participação de mercado em alguns países da UE. Mas, quando o foco foi transferido para outro lugar, a Nokia perdeu 18% da participação.

Isso também ocorreu no Brasil, mais precisamente no último trimestre de 2013 quando os dispositivos Nokia com Windows chegaram a ocupar a segunda colocação como os mais vendidos segundo a consultoria IDC. Com um market share de apenas 6%, algo bem pequeno se comparado com a exposição dos dispositivos Android (que era de 88,73%), o Windows Phone ultrapassou a Apple (com seus 4,7%), mas os planos da Microsoft mudaram pouco tempo depois e esse número despencou até o final das vendas de dispositivos móveis com Windows na América Latina.

Agora que a Nokia Mobile está enfatizando suas origens em primeiro lugar, a visibilidade de seus telefones pode ser aumentada. Isso exige um pouco de investimento, mas os telefones da Nokia podem ser comercializados com eficiência não apenas na União Europeia, mas em todo o globo. Uma jogada inteligente seria criar uma loja on-line, como muitas outras empresas o fazem.

O site oficial da Nokia pode ajudar a acelerar as vendas de novos modelos de dispositivos e acessórios.

Particularmente, eu como fã da finlandesa, espero que ela consiga retornar ao seu lugar bem como retomar as atividades no Brasil da mesma maneira que a Huawei e a Xiaomi estão vendo nosso país com outros olhos mesmo com as dificuldades econômicas pela as quais passamos atualmente. Sabemos que todos os telefones que virão até o final de 2019 definirão se a marca Nokia vai viver um pouco mais ou se tornará apenas uma lembrança dos bons e velhos tempos em que a indústria de smartphones era mais dinâmica.

Diego Mendes
Paulista, 32 anos, libriano, apaixonado por tecnologia e pelo ecosistema Windows. Fã da Nokia e dono de um Xiaomi Mi 9 SE.