O desaparecimento do Windows 10 Mobile pode ser uma coisa boa…

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A frase que compõe o título desse post é forte, mas pode ser uma verdade que até mesmo os maiores fãs da plataforma precisem aceitar… O desaparecimento do Windows 10 Mobile do mercado de smartphones pode ser uma coisa boa…

Antes de explicar o porquê dessa afirmação, vamos voltar um pouco no tempo. Vamos voltar para uma época em que os telefones comuns dominavam o mercado e a Nokia reinava soberanamente… nesse época, a Microsoft já tinha alguma presença no mercado de telefones inteligentes. Na ocasião, a plataforma usada era o Windows Mobile. Ele era um software completamente voltado para o meio corporativo, pois, falhava miseravelmente quando o assunto era o consumidor comum. Para esse público, o Symbian da Nokia falava mais alto, mas, não podemos esquecer das dezenas de S.O. proprietários que embarcavam os mais diversos modelos das mais diversas marcas.

Tempos depois, com a chegada do iOS e do Android, a Nokia perdeu seu trono e aos pouco afundou em seu legado ao ponto de precisar de uma ajudinha da Microsoft para não falir por completo. Já nessa época, a Microsoft já havia perdido o “boom” dos smartphones modernos, que eram dotados de loja de aplicativos, browsers mais velozes e uma UI muito mais otimizada para telas sensíveis ao toque, enquanto isso, Microsoft e Nokia juntaram forças para tentar alcançar seus concorrente Apple e Google, mas, como todos sabem, o Windows Phone 7 + os Lumias da Nokia não foram o suficiente para impedir o enorme buraco que até hoje separa os Windows Phone users dos Android users e iOS users… Posteriormente veio o esforço com o Windows Phone 8 e, por fim, o Windows 10 Mobile.

Note que desde sempre o foco desse mercado tem o nome: PHONE, ou telefone ou, um termo mais moderno, SMARTPHONE, porém, até nesse nome temos o PHONE como palavra central. Nesse sentido, esse mercado ainda pensa em torno do bendito telefone. Sobre esse olhar, detectamos um grande problema que poderia explicar porque até hoje o Windows Phone/Mobile não vingou…

Um dos motivos é que é muito claro para um desenvolvedor, e também para os consumidores, que iOS é para smartphone e MacOS é para PC, assim como Android é para smartphone e Chrome OS é para PC, porém, ao introduzir o conceito do OneCore via Windows 10, a Microsoft quis dizer que Windows é Windows, sem importar se estamos falando de smartphones ou PCs, porém, na prática, os aplicativos universais do Windows necessitam de adaptações para rodar em telefones, mesmo que mínimas, mas precisam, então, Windows não é Windows em todo lugar AINDA.

É como se o Windows 10 Mobile em seu atual estágio de desenvolvimento não fosse “o suficiente” para compor o OneCore. Ele é o Windows 10, sem dúvida, é possível confirmar isso olhando para seu kernel, porém, na prática, quando é preciso rodar um programa feito para o Windows 10, ele não suporta, porque ele ainda parece uma parte do segmento PHONE, então, ele seria apenas um telefone e a Microsoft poderia tê-lo vendido como tal, mas não o fez.

Pelo visto, depois de todo esse tempo, o OneCore da Microsoft deve começar a fazer todo sentido com a chegada de um “novo Windows 10 Mobile”. Esse novo Windows 10 Mobile poderia ser o que está por trás do projeto Andrômeda ou mesmo o Windows 10 ARM, não sabemos ainda. O que sabemos que é o futuro mobile da Microsoft está passando por uma repaginação e aqui o PHONE, ou telefone, será apenas mais um aplicativo e não o ponto central.

Essa repaginação trará algo que já deveria ter acontecido há mais tempo, mas limitações diversas atrasaram o plano, então, em breve poderemos finalmente abandonar esse “mobile” esse “phone” agregado e, enfim, tudo será literalmente chamado de apenas Windows.

Pelo que sondamos nos últimos meses, a Microsoft está investindo de forma consistente em um software que poderá ser levado no bolso, na sua bolsa, pode ocupar um lugar na sua sala, no seu quarto, na sua parede, na sua geladeira, isto é, em todo lugar. Então, o hardware seria o de menos, pois, se o software é completamente modular e adaptável, tanto faz o hardware.

O vídeo abaixo mostra um conceito antigo, mas que hoje poderia se tornar comercial. É o Microsoft Courier, uma mistura de tablet com smartphone, dotado do Windows Ink, entre outras coisas.

Nessa linha de raciocínio, o próximo passo mobile da Microsoft não se limitará a um novo smartphone, um novo hardware, um novo híbrido, mas sim a um software capaz de rodar em qualquer tela. Aqui será o marco da completa implementação do OneCore, do CShell e assim por diante. Enfim, o Windows será Windows em qualquer lugar.

Com relação a esta evolução sobre o smartphone, não pense que a Microsoft está sozinha nesse novo passo, pois, será uma tendência no futuro o telefone ser apenas mais um aplicativo em um mar de funcionalidades de dispositivos inteligentes. As empresas de tecnologia já perceberam que a Internet, a nuvem inteligente e a AI são ferramentas fundamentais para a experiência em smartphones e a telefonia é simplesmente uma das funções que o ecossistema oferece e os usuários consideram necessário. Nesse sentido, a Microsoft finalmente pode sair na frente ao lançar um dispositivo mais completo que um smartphone, no entanto, um aparelho desse tipo seria apenas uma vitrine para algo maior por trás dele…

Sim, ele poderia ser o mítico Surface Mobile, Surface Phone ou Surface Pocket, como você preferir, e ele poderia ser considerado um “Trojan Phone”, capaz de minar ou modificar esse mercado de dentro para fora ao oferecer uma experiência ainda mais ampla, mesmo parecendo ser apenas um telefone ou um PC portátil ou o que eles quiserem. 

Se ele servirá de inspiração, não sabemos ainda, mas que a ideia por trás dele é passar uma mensagem bem clara de que finalmente Windows é Windows, não importa o tamanho da tela, isso é fato, enquanto iOS continuará sendo apenas para smartphones e MacOS só para PCs, assim como Android ainda será apenas para smartphones e Chrome OS para PCs. A Microsoft estaria de posse do único sistema operacional unificado de verdade e as outras é que passariam a correr atrás do prejuízo. É um plano ousado, porém, inteligente, contudo, como efeito colateral os atuais “Windows Phone” precisarão morrer… 

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Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, Microsoft MVP - Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!