O que a Microsoft espera ganhar com a compra do LinkedIn?

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Todo investimento vem acompanhado de uma serie de riscos, tanto que a maioria dos investimento são divididos em categorias com base no grau de riscos previstos e, sem dúvida, a Microsoft embarcou num investimento de alto risco ao comprar o LinkedIn

Comecemos pelo mais básico, o preço. A compra vem acompanhada da incrível quantia de U$ 26,2 bilhões, que para quem não sabe, é a compra de maior valor já feita pela Microsoft em toda a sua história. Mas, porque Redmond faria algo assim?

A resposta para essa pergunta é bem complexa e não pode ser facilmente sintetizada em uma única frase ou parágrafo, mas, podemos tentar fazer isso resumindo o interesse da Microsoft em se consolidar como “A empresa que mais trabalha para outras empresas”. Vamos entender…

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O Office e o próprio Windows são os dois produtos mais populares da Microsoft que são amplamente utilizados por empresas e consumidores comuns em todo o mundo, tanto que cerca de 9 em cada 10 PCs no mundo usam o Windows, ou mais precisamente 91% deles. O Office nem se fala, já que a suite de aplicativos de produtividade também está disponível para as plataformas concorrentes, como o MAC OS da Apple. Não podemos esquecer dos demais produtos da empresas, como o Skype, também muito usado no meio corporativo, o GroupeMe ou ainda o Outlook. Mas, já reparou que mesmo depois de muito esforço e empenho a Microsoft não tem um “APP ou Serviço” para integrar todos os seus usuários/clientes? Uma plataforma que una a todos e ofereça um leque de oportunidades com a finalidade de conectar todo o ambiente empresarial com suas ferramentas de produtividade? Pois bem, é aqui que entra o LinkedIn.

Aqui está o atual APP do LinkedIn para o Windows Phone. Sem dúvida ele deverá virar o UWP para o Windows 10

Aqui está o atual APP do LinkedIn para o Windows Phone. Sem dúvida ele deverá virar o UWP para o Windows 10

Claro que o LinkedIn não possui nem metade da quantidade de usuários que o Facebook e o Twitter tem, porém, ele tem 433 milhões de usuários que são de total interesse da Microsoft, porque todos usam essa rede social/serviço para fins profissionais, e é aqui onde a Microsoft quer dar o golpe. A ideia é usar o LinkedIn como uma forma de conectar profissionais em todo o mundo, e assim, transformar ou consolidar a Microsoft como a empresa que oferece a maior e mais completa gama de serviços corporativos do mundo.

O chamativo “viciante” das redes sociais também servirá de trampolim para levar o LinkedIn até um patamar que eles mesmo não conseguiram atingir, assim crê Satya Nadella e o conselho da Microsoft. Eles esperam criar uma integração sem precedentes por meio do LinkedIn, unindo profissionais em todo o mundo, o Office e até mesmo Cortana poderá, um dia, lhe ajudar a compor o seu currículo ou agendar suas entrevistas de emprego. A lucratividade com o serviço também pode ser potencializada por meio de assinaturas individuais e com a organização de propagandas segmentadas.

Mais uma vez a Microsoft vai na contramão dos seus concorrente ao evitar um confronto direto com o Facebook, por exemplo. Basta ver a nova tentativa do Google com os seus novos APP, o Allo e Duo, que tentam concorrer até mesmo com o Whatsapp, que é do Facebook, e que possivelmente não terão muita notoriedade frente a rede de Zuckerberg.

Percebam que ela está investindo onde ela já domina, que é no mercado corporativo, tanto que até o Facebook e a Apple já tentaram adentrar nesse mercado, mas não tiveram muito sucesso. Até a Blackberry foi ao declínio por ter demorado a se atualizar.

Microsoft products

A compra do LinkedIn só alimenta ainda mais a certeza de que a Microsoft quer focar a maioria dos seus esforços no mercado corporativo e ela está se munindo de todos os recursos possíveis para se consolidar como líder nesse mercado. Até os Lumias foram deixados de lado por conta desse propósito, e possivelmente darão espaço a novos telefones com foco nesse mesmo mercado.

Claro que os consumidores comuns sempre são beneficiados por tabela, afinal, quem aqui não usa o Office ou o Skype ou o Windows? Da mesma forma o Surface vem ganhando espaço nos lares de consumidores comuns e assim deve acontecer com outros produtos e serviços da marca.

Não tome nossa opinião como a única e perfeita explicação da compra do LinkedIn pela Microsoft, até porque dissemos no começo que estamos diante de um negócio muito mais complexo do que muitos podem imaginar. E sim! pode dar errado, como todo investimento.

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Especialista em Ensino das Ciências e Matemática, Microsoft MVP - Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!