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Porque é tão difícil comprar um bom Notebook no Brasil?

Se você, assim como eu, está em busca de um novo Notebook para estudar, trabalhar ou mesmo para jogar, já deve ter encarado a dura tarefa de achar uma boa máquina por um preço justo no e-commerce brasileiro ou mesmo no varejo tradicional (lojas físicas).

São infindáveis buscas na internet, hora usando o zoom.com.br, hora usando o buscape.com.br para comparar os preços das lojas online, mas tudo isso só depois de ao menos escolher um ou dois modelos para enfim dar start nessa pesquisa. A busca quase sempre demora semanas ou até meses. Hoje, tentaremos entender porque é tão complicado assim comprar um bom Notebook no Brasil.

Problema 1 – Diversidade

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O primeiro problema que nos deparamos é com a diversidade. Mas, peraí… eu estou dizendo que tem pouca diversidade de Notebooks no Brasil? Sim! estou, mas não por questões de marca. De fato, existem muitas fabricantes ofertando suas máquinas por aqui. É Dell, Asus, Acer, LG, Samsung, HP, Lenovo, Positivo, Multilaser e por ai vai, porém, todas oferecem mais do mesmo. Pode reparar que enquanto a Dell oferece um Note com Core i3 de 7ª geração, com 4 GB de memória RAM e um HD de 1 TB, a Samsung, Asus, Acer e todas as demais oferecem uma máquina exatamente com essas mesmas configurações e até na mesma faixa de preço, com algumas discrepâncias, é claro.

Não é incomum encontrar vários modelos de marcas diferentes com as mesmas configurações custando praticamente o mesmo preço. Então, aqui começa o segundo problema…

Problema 2: Como escolher o melhor? qual a melhor marca?

Complicado né? A dica é escolher a marca que mais lhe agrada. Quem sabe julgar pelo histórico de uma máquina que você já teve ou que um amigo mais antenado recomendou ou ainda recorrer para fóruns de tecnologia ou sites de reclamações, para enfim escolher a marca com menor quantidade de problemas não resolvidos, porque problemas todas terão.

É sabido que algumas marcas são ligeiramente mais confiáveis que outras nesse ramo, como por exemplo, a Dell, que é adorada por muitos e que tem fama de boa fabricante com um bom pós venda, no entanto, não se iluda, a Dell, assim como todas as demais, tem seus dias ruins e existem muitos relatos de problemas com a marca, ou seja, é tudo muito relativo e o melhor é apostar naquilo que você já conhece de perto ou mesmo que possua assistência técnica em sua cidade.

Agora que você já garimpou sua máquina favorita nesse monte de marcas e modelos, entra o próximo problema… hardware mais atual e já montado ou hardware antigo para fazer upgrades?

Problema 3: hardware atual e upgrades

Enquanto os gringos já estão “descartando” os SSD’s do tipo SATA III e migrando para os NVme M.2, muito mais rápidos, a maioria das fabricantes que vendem Notebooks no Brasil ainda insistem em vender seus produtos com o já ultrapassadíssimo HD tradicional de 5400RPM, um dos maiores responsáveis pelo problema do Disco 100% no Windows 10.

É difícil encontrar máquinas por aqui que venham ao menos com um SSD de 128 GB ou 256 GB de armazenamento. E quando encontra geralmente é um SSD SATA III ou até M.2, ou seja, um SSD simples e que ainda ocupa a única entrada M.2 disponível na máquina. Aliás, quando há essa porta disponível né? Porque não é raro encontrar máquinas que são um parto pelo nariz para fazer um upgrade de uma simples memória RAM, quem dirá do armazenamento interno…

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Por incrível que pareça já vi máquinas sendo vendidas por mais de R$ 2000 ainda usando memória RAM DDR3 e HD de 1 TB de 5400RMP… é mole? Quer pior? Tem fabricante que ainda quer empurrar na gente um Notebook com um Intel de 6ª geração…

De uma maneira geral, pode pesquisar que por menos de R$ 3000 é complicado achar uma máquina com um processador de 8ª geração + RAM DDR4 + SSD. Quase impossível na verdade. Enquanto que lá fora isso é quase que coisas indispensáveis para modelos 2018/2019 de qualquer marca nessa mesma faixa de preço, dada as devidas conversões, é claro. Com algo em torno de US $ 800 você já compra uma máquina simples lá fora, mas que aqui é considerada quase uma top.

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Eis uma cola simples e rápida para identificar a geração de processadores da Intel – Observem que o primeiro dígito do modelo do processador se refere justamente a sua geração (gen indicator), ou seja, em 2019, tente escolher um que comece com “8”. Exemplo: o Core™ i5-8250U é um dos mais modernos e equilibrados da linha, mesmo não sendo o mais poderoso deles.

Se formos entrar na questão de Notebooks gamers o problema se tornaria ainda maior, dado o fato de que muitas fabricantes dizem vender uma máquina gamer só porque ela vem com uma placa de vídeo dedicada e algumas luzes que piscam. Só que não é bem assim. Será que a máquina está mesmo pronta para aguentar a dissipação de calor da CPU e da GPU atuando juntas? A tela e seu teclado tem características voltadas para jogos mesmo? E a autonomia da bateria? Tem ao menos armazenamento híbrido? Ou só tem “perfumarias”?

Dica Turbinada: Para saber qual modelo mais atual de processadores AMD acesse este link aqui e filtre por “launch date”, então, escolha a data mais recente para visualizar quais os modelos mais atuais da fabricante. Exemplo: o AMD Ryzen™ 5 3400G é um dos modelos mais recente da marca e um dos mais equilibrados para Notebooks e Desktops.

Tudo isso pode ser resolvido com upgrades, em especial de RAM e SSD, contudo, só muito recentemente que temos visto algumas fabricante lançarem modelos de fácil upgrade por aqui, com aberturas na carcaça voltadas para esse sim e inserção de portas M.2. Esse último item nos leva ao próximo problema…

Problema 4: preço

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Depois da pessoa pesquisar bastante, escolher a marca que mais lhe apraz, definir o hardware que atenderá suas necessidades, o usuário esbarra no problema dos preços, ou no “custo Brasil”.

Como falei anteriormente, o básico seria comprar um modelo com um Core i3 de 8ª geração ou um AMD Ryzen 3 2200G + 8 GB de RAM DDR4 e um SSD de 256 GB etc e tal. O básico! certo? Mas, essa combinação quase inexiste no  mercado brasileiro por menos de R$ 3000, ou seja, caro demais.

O que se encontra na maioria das vezes é uma combinação nada a ver, como um Core i3 ou i5 de 7ª ou 8ª geração ou ainda um AMD Ryzen 5 + 4 GB de RAM (ao menos DDR4) e 1 HD de 1 TB de 5400RPM. Ou seja, querem ganhar “no grito”, oferecendo um Core i5 com apenas 4 GB de RAM e um HD tradicional. Não faz sentido. Seria muito melhor a configuração básica que sugeri, tanto para rodar Linux como Windows. Tem infinitos modelos com essa configuração custando entre R$ 1800 a 3000. Pode pesquisar… quando encontrar um com 8 GB de RAM DDR4 já é uma vitória.

Diante disso, resta o upgrade, no entanto, não pense que peças de reposição estão disponíveis em qualquer lugar ou loja, especialmente no mercado varejista tradicional, e que são baratas, então, vale pesquisar bastante o modelo do Notebook, se é simples fazer seu upgrade, se isso compromete a garantia e ainda procurar alguém que saiba fazer tal modificação, afinal de contas, terá que migrar seus arquivos e o próprio sistema operacional e isso nem sempre é uma tarefa trivial.

A disponibilidade e o preço de máquinas, acessórios e peças de reposição está diretamente ao próximo problema…

Problema 5: impostos

Claro que esse problema não poderia ficar de fora, já que ele é o culpado por nos oferecem tranqueiras ultrapassadas por preços absurdos… eles… os impostos.

O primeiro deles é o PIS/Cofins, que em 2015 passou de 0% para 3,65% para empresas com lucro presumido, sem abater créditos e de 0% para 9,65% para empresas com lucro real, que podem abater créditos. Além desse temos os 15% de IPI + o ICMS, que varia de percentual de estado para estado. Em São Paulo, por exemplo, incide 18% de ICMS. Sobre tudo isso ainda temos os impostos diversos pagos pela fabricante e os varejistas, que seriam os chamados “custos operacionais”.

Sendo assim, no preço final pago pelo consumidor temos quase 50% só de impostos. Existem eletrônicos, os que não são classificados como de primeira necessidade, que podem incidir impostos que compõem até 70% do preço.

Ah, se sua ideia é importar aquele Xiaomi Air ou aquele MacBook ou ainda aquele Microsoft Surface Pro dos states que tá em promoção em dólar, recomendo fortemente que você faça bem os cálculos, porque, se a receita federal pegar, temos ai no MÍNIMO 60% de taxa de importação. E pode incidir ainda mais, caso alguma informação esteja divergente na ordem e na NF. Lembrando que a cotação do dólar hoje é de cerca de US $ 1 = R$ 4,00.

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Um Dell Alienware – um sonho distante para a maioria de nós

Sendo assim, não podemos culpar apenas as fabricantes pelos preços exorbitantes de seus produtos. Claro que eles tem sua culpa no cartório, ao final das contas, ao invés de lutarem por melhores condições de mercado nos penalizam diminuindo seus custos ao oferecem produtos de menor qualidade ou com componentes ultrapassados.

Conclusão

É um problema sério e que não tem uma solução simples e a curto prazo. É de fato e verdade bem complicado comprar um bom Notebook no Brasil por tudo isso que falamos. E veja bem… mesmo com um bom orçamento disponível ainda assim é preciso pesquisar para não pagar caro por algo de baixa qualidade.

Bônus

Para não dizer que deixamos você mais perdido do que quando você entrou aqui hoje, deixarei a seguir algumas dicas para ajudar na sua compra:

  1. Escolha uma marca que já tenha alguma notoriedade no mercado, assim as chances de você ter problemas é menor;
  2. Não compre um hardware do qual você não precisa, então, se é para trabalhos escolares, Office básico, navegar na internet, basta um Core i3 ou um AMD Ryzen 3 ou 5 de uma geração atual, 4 GB de memória RAM e um SSD de 128 GB; se for para trabalho pule para um Core i5, pense em 8 GB de RAM DDR4 para melhorar a experiência multitarefas e um armazenamento híbrido, por exemplo, um SSD de 128 GB, ou maior, para o sistema operacional e arquivos mais importantes, aliado a um HD de 1 TB para guardar coisas comuns, como músicas, filmes e arquivos diversos; se sua onda é jogar num Notebook, bem, primeiro, recomendo fortemente que você repense nisso e ou compre um console ou monte um desktop do zero, mas se não tiver jeito e esse é o seu desejo, não aceite menos que um Core i5 atual, 8 GB de RAM DDR4, SSD + placa de vídeo dedicada (com memória DDR5), como uma NVIDIA GeForce GTX 1050 ou superior e uma tela Full HD (poderia ser ainda um AMD Ryzen 7 2700X como CPU);
  3. Ao invés de comprar uma máquina já pronta, com SSD, muita RAM, pesquise bons modelos que sejam fáceis de fazer upgrade e compre os upgrade por fora e mande instalar. Na maioria das vezes com menos de R$ 3000 dá para “montar” um Note com Core i5 de 8ª geração ou um AMD Ryzen 5 + 8 GB de RAM DDR 4 (geralmente 4 soldados + 4 de um novo pente) + 1 HD de 1 TB de 5400RPM + SSD de 128 GB conectado via porta M.2;
  4. Se você precisa de muita autonomia de bateria evite as telas Full HD;
  5. Se precisa de mobilidade, esqueça os Notebooks gamers, pois, geralmente eles são grandes e pesados;
  6. Fique de olhos nas portas oferecidas, pois, entradas HDMI, USB 3.0 e USB – C já começaram a se tornar indispensável, enquanto que o drive de CD/DVD já não serve mais para quase nada, ou seja, é item dispensável;
  7. Touchpad de precisão pode ser muito útil.
  8. Não cai na ideia de que você precisa de uma máquina com tela sensível ao toque. Se não for um 2 em 1, não fará quase nenhuma diferença uma tela dessas. Se você quer mesmo uma dessas para usar novas tecnologias, como o Windows Ink, opte por modelos 2 em 1 ou híbridos conversíveis
  9. As vezes o design precisa ser o item menos importante. Foque no hardware VS preço.
  10. Fique de olho no preço parcelado no cartão. As vezes a diferença do preço de a vista para o parcelado é de 20%.
  11. Corra dos Intel Celeron ou Pentium Dual Core e também dos AMD Athlon. Cedo ou tarde esses processadores vão lhe trazer raiva quanto a desempenho, mesmo com boa quantidade de RAM e SSD instalados.
Alexandre Lima
Microsoft MVP Windows Insider, músico, marido, pai, servo do Deus vivo e entusiasta dos produtos e serviços Microsoft. Carpe Diem!