Sem uma presença no mercado mobile, a Microsoft e o Windows pode estar perdendo o mercado consumidor

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Há três anos, a Microsoft apareceu na IFA para lançar dois novos telefones Windows. Eles eram os dispositivos mid-range: Lumia 830 e Lumia 730. Há dois anos, vimos o fiasco do lançamento do Jade Primo da Acer na IFA (alguém lembra desse modelo ainda?). Agora, em 2017 e o mercado mobile ainda é muito grande na IFA – com a LG lançando o LG V30, que foi bastante comentado no setor de tecnologia na semana passada, além do assistente do Google que está se expandindo para mais dispositivos, o lançamento do Samsung Note 8 com ótimas críticas, e o iPhone 8 (ou X) da Apple virando a esquina.

Apesar de toda esta agitação no mundo móvel, não se encontra praticamente nada sobre a Microsoft. Duas OEMs pouco conhecidas (WileyFox e Trekstor) mostraram telefones Windows que poderiam ser excelentes em 2014/2015 e não agora, já indo para o final de 2017 e chegando em 2018. Com a Trekstor, que apresentou um “novo” smartphone com Windows, afirmando que não é bem assim, não vão lançar nada por enquanto, o que fizeram na IFA foi apenas uma demonstração do produto e “se ou caso” alguma empresa tenha interesse, poderá existir uma conversa ou projeto; portanto, não espere nenhum smartphone da Trekstor nas prateleiras tão cedo.

Para piorar a situação, o marketshare geral do mercado de computação pessoal do Windows continua a diminuir, e as perspectivas de crescimento são terríveis para futuros PCs, enquanto o Android e iOS estão atualmente capturando bilhões de usuários móveis, alguns dos quais provavelmente nunca terão um PC tradicional em casa.

Devemos perguntar: “Como a Microsoft deixou isso acontecer?” Mas a resposta é tão óbvia que não precisa ser um gênio para explicar, concordam? Devemos fazer outra pergunta: A Microsoft pode voltar ao jogo? Ou ela já pensa em largar mão do mercado consumidor e ficará apenas com patentes e o mercado corporativo?

Você pode argumentar que produtividade sem Windows não existe e que as coisas serão assim para sempre, já que para muitas pessoas, fluxos de trabalho complexos e algumas tarefas só podem ser realizadas no Windows. Se não existir algum app para Android ou iOS que supra as suas necessidades ou da sua empresa atualmente, por exemplo, isso não significa que a mesma limitação existirá no futuro.

Se você ainda não pode utilizar aplicativos tradicionais de desktop no Chromebook atualmente, isso também não significa que seja necessário utilizá-los para ser produtivo. A web cresce mais poderosa a cada dia, e um navegador (Chrome) e extensões, é o suficiente para muitos. Alguma parcela da próxima geração de usuários de tecnologia, tem optado por usar o Chromebooks em escolas e carregam iPhones  e Androids no bolso e utilizando-os em casa, e estão construindo seus fluxos de trabalho em torno destes dispositivos e os 2 sistemas operacionais dominantes (Android e iOS), com o Windows e aquele PC ficando empoeirado e desligado por dias dentro de casa.

A área de trabalho do Windows, anteriormente um grande filão da Microsoft, não é tão próspera como antigamente e os balanços financeiros demonstram isso. Enquanto muitos elogiaram as atualizações frequentes oferecidas pela Microsoft e a introdução de novas funcionalidades no sistema operacional, a falta de recursos inovadores não passou despercebida. Sim, a Microsoft adicionou um tema escuro, design fluente e um trackpad virtual, mas, nada de muito novo. Em termos de software, ninguém está construindo aplicativos incríveis ou programas para Windows em qualquer escala significativa. Os poucos apps que estão sendo criados, cada vez mais são construídos sobre tecnologias web, independente de plataforma, então, eles podem ser portados para todas as plataformas de forma rápida e eficiente. Temos como exemplo o Slack, Spotify, WhatsApp e até mesmo o novo app do Skype para desktop.

 

A Microsoft está tentando empurrar o mais rápido que pode novas tecnologias que possam suplantar a perda do mercado mobile e tentar tornar-se relevante no mercado consumidor outra vez, mas, muitos tem questionado o poder e a velocidade da implementação de tais esforços. Nos últimos 3 anos apenas, a Microsoft tentou emplacar o Continuum, Bots, assistentes e Mixed Reality como o futuro da computação.

O Continuum é uma ótima ideia, mas até o momento não vingou, assim como o Remix OS, baseado no Android que tentou copiar as funções do Continuum e o Samsung Dex, todos sem grandes resultados alcançados; Bots, que tem uma perspectiva de revolução prometida em comunicação, AI e em apps de mensagens, até o momento, estão engatinhando; Assistentes virtuais e realidade mista são um pouco mais complicadas. Assistentes, como o Google Assistant, Alexa, Cortana e Siri estão se tornando mais úteis em nossos PCs e dispositivos móveis e estão se expandindo para alto-falantes e outros eletrodomésticos. Enquanto a Cortana tinha uma clara vantagem sobre o Google Assistant e Alexa, a falta de um companheiro móvel, ou seja, um smartphone Windows da Microsoft, dificultou a penetração de mercado e atenção das pessoas. Sim, sabemos que a Microsoft oferece um app da Cortana no Android e iPhone  e incentiva os usuários para instalá-los e integrar com seus PCs com Windows 10, mas, isso pode não ser o suficiente.

Ao contrário de outros aplicativos e serviços, um assistente digital ainda não pegou e eles não se diferenciam tanto um do outro, o que significa que, para qualquer determinado usuário, a experiência padrão presente em seu smartphone é muito provavelmente, boa o suficiente. Deixando de lado os fanboys da Microsoft/Google que usam o iPhone/Android Google Assistant/Cortana, e descobrimos que os apps padrão ganham 9/10 vezes.

Quando se trata de realidade mista, embora a Microsoft tenha sido a primeira a impressionar o mundo com HoloLens, Apple e Google tem apresentado soluções um pouco mais práticas e acessíveis. Com ARKit e ARCore, os bilhões de dispositivos Androids, iOS e o desenvolvedores animados, a realidade aumentada e os produtos deste mercado, chegarão para o consumidor muito mais rápido, fácil e principalmente, no seu smartphone. Enquanto o mercado de AR (realidade aumentada) ainda precisa provar sua necessidade e sua força, não é difícil imaginar que os smartphones serão a área de testes favorita dos consumidores, ao invés dos headsets, mesmo porque, você não precisa comprar nada para utilizar, basta pegar o seu smartphone. Sobre esse olhar, os screenless podem mudar tudo…

Existem algumas teorias e sugestões que a Microsoft poderia fazer para melhorar sua relevância ao consumidor (em teoria). Na extremidade móvel, alguns têm sugerido que a Microsoft deveria construir um telefone Android embalado com os serviços da Microsoft e a Google Play Store, como faz a Samsung, Huawei e outros OEMs Android. É improvável que isso aconteça. A Microsoft não iria construir um hardware para ajudar na entrega de seus serviços e softwares. Google Play Store já serve como uma plataforma de distribuição para aplicativos da Microsoft, (assim com a loja da Apple) e a saturação do mercado Android torna improvável que qualquer novo OEM venha a ter sucesso e lucro.

Outros sugeriram um novo dispositivo móvel com Windows. As armadilhas disso incluiria o estigma duplo do Windows e Windows Phone, assim como o grande problema: a falta de apps, ou seja, efetivamente estaria morto na chegada. Seria a hora dela focar no a empresa faz de melhor, fornecendo a melhor e mais poderosa plataforma desktop para aqueles que precisam de poderosos aplicativos móveis para profissionais?

A necessidade de softwares tradicionais específicos para desktop devem encolher nos próximos anos e aplicativos da web e aplicativos móveis vão tornar-se cada vez mais poderosos, o que parecer ser um movimento natural do mercado. Isso não seria a morte da Microsoft ou todo o ecossistema Windows. Seria um exagero afirmar isso. Seria simplesmente um reflexo da realidade de como verdadeiramente usamos nossos dispositivos hoje.

Xbox

Atualmente, alguns acreditam que a plataforma Xbox e o Groove Music são, praticamente, os únicos produtos da Microsoft voltados ao mercado consumidor final e que não possuem relação com o Office e o mercado corporativo. Precisamos destacar que são ótimos produtos, com o Xbox One X alcançando um grande sucesso no seu lançamento e atenção da mídia, consumidores e concorrentes.

Talvez esteja no Xbox, Groove Music e agora no Skype que foi totalmente reformulado, um novo olhar da Microsoft para o mercado consumidor, mas, sem algo definido, sem um produto ou investimentos no setor mobile, o cenário parece não ser muito diferente até onde nossos olhos podem ver neste momento.

Sem uma presença forte no mercado mobile, sem uma declaração oficial sobre novos produtos nesse segmento ou mesmo sem lançamentos, a situação fica complicada a cada dia que passa, e a Microsoft parece que vai seguindo o caminho de outras empresas focadas no setor corporativo, como a IBM, Oracle e BlackBerry, mas, em contrapartida, tem guardado algumas coisas dentro de um cofre secreto e tudo pode mudar da noite para o dia, como foi com o caso de alguns produtos da linha Surface e com o HoloLens. Será mesmo que a Microsoft poderia deixar o mercado consumidor de mão beijada para seus concorrentes? Ou ela tem segredos guardados e planos que nem os mais íntimos conhecem?

Fonte: MSPU Obrigado ao Marcio Vianna pela dica 😉

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